Justiça condena dez por “disk drogas” que movimentou R$ 110 milhões em Goiânia
Grupo operava sistema de entrega de entorpecentes por telefone durante 10 anos

A Justiça de Goiás condenou 10 pesoas por envolvimento em esquema de ‘disk drogas’ que movimentou R$ 110 milhões, com uma década de operação, em Goiânia. As sentenças, ocorridas por tráfico e lavagem de dinheiro, somam 145 anos de prisão. Enquanto o chefe da quadrilha, Baltazar Cabral Júnior, recebeu quase 40 anos em regime fechado, outros colaboradores, como entregadores e “laranjas”, receberam sentenças menores, em regimes semiaberto e aberto. Os nomes não foram rev
As investigações, realizadas pela Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (Denarc), revelaram que o grupo operava com uma estrutura organizacional semelhante a de uma empresa de logística. Ativos desde 2015, os condenados mantinham uma central de atendimento para gerenciar o “delivery”, onde pedidos eram recebidos por telefone e despachados via entregadores para diversos pontos da capital.
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Esquema de ‘Disk drogas’
O Ministério Público de Goiás (MPGO) detalhou que cada membro possuía uma função específica: desde o armazenamento e preparo das substâncias até a coordenação das rotas de entrega. O líder do grupo, B. C. Jr., foi identificado como o mentor intelectual, responsável pela compra dos entorpecentes e pela estratégia de ocultação dos lucros.
Além do tráfico, a organização era especializada em dar aparência lícita ao dinheiro do crime, acumulando uma movimentação estimada em mais de R$ 110 milhões. Para ocultar essa fortuna, o grupo criava empresas de fachada, que simulavam atividades comerciais para justificar a entrada dos valores, e o uso de contas bancárias em nome de “laranjas”, para realizar transações e adquirir imóveis.
A aquisição de bens de luxo era utilizada ainda como estratégia para imobilizar o capital ilícito e dificultar o rastreamento pelas autoridades.
Condenações
Na decisão proferida pela 2ª Vara Especializada, o magistrado destacou a resiliência da quadrilha. O bando já havia sido alvo da Operação Ávalos, mas o líder conseguiu se reorganizar e manter as atividades ilegais. Por esse motivo, a Justiça negou o direito de recorrer em liberdade aos réus que já estavam presos, alegando que o alto poder financeiro da organização oferece risco de reincidência.
Confira as principais penas aplicadas:
- Líder (B. C. Jr.): 39 anos e 10 meses de reclusão.
- Operador da central: 23 anos e 2 meses de reclusão.
- Coordenador de operações: 23 anos e 2 meses de reclusão.
- Entregadores e auxiliares: Penas que variam entre 3 e 13 anos, em regimes fechado, semiaberto ou aberto.
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