Quadrilha que clonava perfis de deputados para aplicar golpe é alvo de operação em Goiás e no DF
Sob pressão emocional, transferências eram feitas após relatos de acidentes e despesas médicas urgentes

Uma quadrilha que clonava perfis de deputados para aplicar golpe é alvo de operação em Goiás e no DF nesta quinta-feira (26). Segundo as investigações, o grupo era especializado em estelionato digital e utilizava fotos e nomes de parlamentares com residência em Brasília para enganar vítimas por meio de aplicativos de mensagens. A ação foi conduzida pela Polícia Civil (PCDF), com apoio da Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos (PCGO). No cumprimento dos mandados, foram apreendidos celulares e equipamentos eletrônicos que devem ajudar a dimensionar o prejuízo causado pela associação criminosa.
O nome da operação, “Falsa Tribuna”, faz referência direta à estratégia adotada pelos golpistas. Eles monitoravam as redes sociais de parlamentares e ex-deputados para coletar imagens e informações públicas, criando contas no WhatsApp que pareciam legítimas. Com a identidade visual dos políticos, os suspeitos ganhavam a confiança imediata das vítimas, o que facilitava o poder de persuasão e evitava que os alvos desconfiassem da autenticidade das mensagens.
Ao iniciarem o contato, os suspeitos se passavam pelos políticos e simulavam situações críticas envolvendo parentes próximos. O roteiro era quase sempre o mesmo: uma emergência médica inesperada, um acidente de trânsito ou a necessidade de quitar um serviço de saúde de forma imediata. Sob pressão emocional, as vítimas eram induzidas a realizar transferências bancárias, principalmente via PIX, acreditando estarem auxiliando um familiar em um momento de desespero.
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Segunda fase e apreensões
Nesta nova etapa da investigação, equipes da PCDF e da PCGO cumpriram mandados de busca e apreensão expedidos pelo Poder Judiciário do Distrito Federal. Durante as diligências em endereços ligados aos suspeitos, foram confiscados aparelhos celulares e documentos que passarão por perícia técnica. O objetivo agora é realizar um “mergulho” nos dados para identificar outros membros da organização e rastrear o caminho do dinheiro, já que o grupo também é investigado por lavagem de capitais.
A Polícia Civil já conseguiu qualificar os principais envolvidos, que devem responder por associação criminosa, estelionato e fraude eletrônica. Novas diligêncas não estão descartadas.
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