Crime organizado

Conheça Junior Trindade, goiano líder da facção ADE e um dos mais procurados do Brasil

Ele responde por processos tanto na esfera estadual quanto federal. Atualmente é considerado um dos maiores traficantes de Goiás

Responsável por 40% dos homicídios praticados em Goiás em 2021, a facção goiana Amigos do Estado (ADE) foi fundada por Engri Júnior de Almeida Maia, o Junior Trindade – atualmente um dos criminosos mais procurados do Brasil, segundo lista do Ministério da Justiça. Com processos na esfera estadual e federal, o faccionado, de 37 anos, foi incluído na lista por crimes como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, posse irregular de arma de fogo e organização criminosa.

Pelo currículo, Junior Trindade aparece ao lado de outras figuras goianas como Leomar Pereira Barbosa, conhecido como Playboy ou Leozinho, apontado com um dos líderes do Comando Vermelho (CV) e braço direito de Fernandinho Beira-Mar. Atualmente, porém, Trindade é um dos principais traficantes goianos e considerado o chefe da organização criminosa, que é aliada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

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Lista do Ministério da Justiça dos goianos mais procurados – (Foto: reprodução/Ministério da Justiça)

Movimentação financeira da facção

A ADE, inclusive, chegou a movimentar mais de R$ 70 milhões por meio do banco digital 4TBANK, criado pelo próprio PCC, de acordo com a Polícia Federal (PF). O montante é uma “amostra” da movimentação da facção, que chegou a adquirir fazendas no Tocantins para facilitar a logística no comércio de drogas trazidas da Bolívia, que foi desarticulado em operação da PF em maio de 2025. 

Os locais eram usados pelos faccionados como pistas de pouso clandestinas, além de base para caminhões, carretas, veículos de luxo e embarcações. O Ministério Público de Goiás (MPGO) prevê que a facção goiana movimentou ao menos R$ 1 bilhão desde que foi fundada há cerca de 10 anos, em Trindade. 

Surgimento da ADE

O MP trabalha com a hipótese de que a ADE surgiu a partir da migração de batizados do PCC, que fundaram a organização em solo goiano. Atualmente, com base em investigações desenvolvidas por órgãos de segurança pública estaduais e federais, há indícios de que há “irmãos” – como são chamados os faccionados na linguagem carcerária – espalhados em, pelo menos, outros cinco Estados, além do Distrito Federal e do exterior.

Os tentáculos foram descobertos em Mato Grosso, Paraná, Minas Gerais, Tocantins e Mato Grosso do Sul. Somente em Goiás, 57 investigados foram denunciados pelo órgão por integrarem a facção criminosa em dezembro de 2025. A estimativa é que ao menos mil membros estejam em solo goiano.

Junior Trindade, um dos traficantes mais procurados do Brasil – (Foto: reprodução)

A ADE não nasceu a partir de movimentos carcerários, conforme investigações do MP, mas a partir de negócios de tráfico de drogas, que tinham por origem também membros do próprio PCC. O surgimento da facção goiana, inclusive, é contrário ao do “amigo” PCC e do “inimigo”, Comando Vermelho (CV) – que disputam pelo controle do tráfico de drogas em Goiás. 

Vínculo com outras organizações

A máfia paulista surgiu a partir de uma aliança na Casa de Custódia de Taubaté na década de 90, mas ganhou notoriedade em 2006, com os atentados terroristas, em São Paulo – seu berço. O CV, conhecido por ser mais sangrento, surgiu ainda na década de 70, no presídio da Ilha Grande. 

Atualmente, conforme fontes do Mais Goiás, atuam de forma majoritária em Goiás as organizações PCC e CV, seguidos da ADE. No entanto, há ainda outras facções com menor relevância como a carioca Terceiro Comando Puro (TPC), a brasiliense Comboio do Cão e a pernambucana Trem Bala ou Comando Litoral Sul (CLS) – essa última quase inexistente.