Ditadura

Onda de protestos no Irã já deixa 65 mortos e mais de 2.300 presos

O movimento popular resiste mesmo diante da forte repressão das forças de segurança

O Irã enfrenta uma onda de protestos violentos há duas semanas, motivada pelo agravamento da crise econômica e pelo descontentamento com o governo. As manifestações, que chegaram ao 14º dia consecutivo neste sábado, espalharam-se por mais de cem cidades em todas as províncias do país. O movimento popular resiste mesmo diante da forte repressão das forças de segurança, que tentam conter o avanço dos atos em locais como a capital, Teerã.

De acordo com a ONG Human Rights Activist, o saldo da violência é de pelo menos 65 pessoas mortas e mais de 2.300 presas desde o início das mobilizações. Para tentar dispersar os manifestantes e impedir a circulação de informações, o regime iraniano ordenou um apagão total da internet em diversas regiões. A medida, no entanto, não evitou que vídeos e relatos sobre os confrontos fossem divulgados e circulassem nas redes sociais ao redor do mundo.

Especialistas avaliam que a escala dos protestos representa um desafio inédito para o controle estatal. Ali Fathollah-Nejad, diretor do Centro para o Oriente Médio e a Ordem Global em Berlim, afirmou que “se o ímpeto desses protestos de rua em massa for mantido, a repressão se tornará muito mais difícil, senão insuficiente”. A fala destaca a pressão sobre as autoridades, que veem a revolta popular ganhar fôlego apesar da violência policial.

Leia também: