Quinta-feira, 06 de Agosto de 2026
Análise

“Goiás deveria ser exemplo para reforma tributária”, diz diretor do Instituto Mauro Borges

Erik Figueiredo argumenta que os defensores da reforma tributária estão alheios aos resultados de Goiás e do Centro-Oeste na redução de igualdades. Para ele, texto aprovado compromete dinâmica econômica de Goiás

Da Redação
Por - Goiânia, GO
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Governo cria aplicativo para ajudar produtores rurais de Goiás a emitir nota fiscal (Foto: Governo do Estado)

Goiás e a região Centro-Oeste deveriam ser exemplos para a formulação da reforma tributária. A avaliação é do diretor-executivo do Instituto Mauro Borges, doutor em Economia, Erik Figueiredo, que aponta a ampliação da participação do estado no Produto Interno Bruto (PIB) do país e na redução das desigualdades regionais.

Contra o texto aprovado na Câmara dos Deputados na quinta-feira (6), Erik argumenta que os defensores da medida estão alheios aos resultados colhidos na região em relação ao combate à miséria. Para ele, apesar do objetivo social, o modelo desenvolvimentista de tributação proposto vai agir na preservação das desigualdades regionais e na manutenção de parcelas significativas das populações em situação de pobreza.

Para que a colocação seja compreendida, ele, que é ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), propõe uma análise histórica sobre a evolução econômica de Goiás, que reflete, segundo ele, na capacidade do estado em atuar contras desigualdades históricas.

Contexto

Erik Figueiredo argumenta que em 60 anos — desde a criação da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) — aquela região continua estacionada com 14% na participação do PIB. Já, no mesmo período, o o Centro-Oeste viu sua participação evoluir de 2%, em 1959, para 8%. Um crescimento de 400% no período.

Segundo ele, essa evolução do PIB possui rebatimentos na área social. Usando o exemplo do estado de Goiás, a taxa de extrema pobreza registrada na década de 1970 era de aproximadamente 9%. Em 2022, ela atingiu 1,7%. Enquanto isso, estados nordestinos como Maranhão e Paraíba continuam convivendo com uma taxa de extrema pobreza de dois dígitos e com mais de 50% da sua população sendo beneficiada pelos programas sociais.

O diretor-executivo do Instituto Mauro Borges lembra ainda de estudo recente que avalia a transmissão da pobreza entre as gerações. Constatou-se que no Brasil, o filho de um pai pobre possui uma probabilidade de 47% de permanecer pobre. “Quando avaliada em nível municipal, observou-se que Goiânia possui o oitavo menor índice de persistência da pobreza, com probabilidade próxima a 20%”, diz.

Reforma tributária

A reforma tributária, possui como um de seus argumentos principais a redução das desigualdades regionais. De uma forma resumida, uma das propostas prevê a unificação dos tributos PIS e Cofins (federais), ICMS (estadual) e ISS (municipal), substituindo-os por um único imposto do tipo IVA, de abrangência nacional. A arrecadação, centralizada no governo federal, seria redistribuída para os estados.

“O que se sabe é que essa distribuição prezará por uma estrutura de aprofundamento no critério de redistribuição do volume arrecadado. Logo, o sistema atual, já pautado em uma forte redistribuição dos recursos, seria intensificado. Para se ter uma ideia, o atual pacto federativo permite que a cada R$ 1,00 arrecadado em impostos federais em Goiás, apenas R$ 0,50 retornem para o estado. No Maranhão, a cada R$ 1,00 arrecadado em impostos federais, R$ 2,44 são retornados para o estado”, aponta.

“Prejudicial a Goiás”

Ele argumenta ainda que Goiás é estado que cresce a taxas acima da média nacional, reduz a pobreza a mínimos históricos e insere a população no mercado formal. No entanto, pode ter sua dinâmica econômica prejudicada em favor de uma política de desenvolvimento regional totalmente ineficaz.

“É inegável que o sistema tributário brasileiro necessita de modernização. Essa poderia ser iniciada com os impostos federais. Ou seja, o Governo Federal fazendo o seu dever de casa! O ICMS e o ISS podem e devem ser discutidos nos âmbitos estadual e municipal, respeitando, com isso, as particularidades regionais e o pacto federativo. Talvez assim, possamos identificar as estratégias de desenvolvimento que, de fato, vêm produzindo resultado no Brasil”, argumenta.

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