Basileu França tem atividades suspensas a partir desta sexta
As interrupções acontecem na esteira de uma decisão judicial que determinou a suspensão do contrato do Estado de Goiás com a Organização Social (OS) Centro de Gestão em Educação Continuada (Cegecon)
Ir direto pra matériaO Instituto Tecnológico do Estado de Goiás em Artes Basileu França (Itego Basileu França) vai passar por uma suspensão de atividades a partir desta sexta-feira (22). Mais de 4.200 alunos da instituição devem ser afetados.
As interrupções acontecem na esteira de uma decisão judicial que determinou a suspensão do contrato do Estado de Goiás com a Organização Social (OS) Centro de Gestão em Educação Continuada (Cegecon). O motivo seria a falta de certidões que atestem a idoneidade moral dos dirigentes da OS, bem como de documentações que demonstrem que os professores possuem currículo vasto na área de atuação.
Ao Mais Goiás, a diretora do Basileu França, Lóide Batista Magalhães Silva, informou que praticamente todas as áreas da escola devem ser afetadas, o que inclui a limpeza e a segurança. Apenas pouco mais de 20 professores, que são efetivos e comissionados, continuarão exercendo suas atividades. O levantamento de quais turmas serão mantidas ainda não foi concluído.
De acordo com Lóide, a expectativa é que a situação comece a se resolver a partir da semana que vem. “O governo disse que está tomando as providências. Talvez terça ou quarta-feira tenhamos alguma solução”, diz. “Estamos cumprindo a decisão da juíza e estamos aguardando os trâmites legais e a defensoria do governo”, atestou.
O Mais Goiás entrou em contato com a assessoria de imprensa da SED, mas não obteve retorno até esta publicação. Também tentamos contato com a Cegecon, mas as ligações não foram atendidas.
Decisão
Em tutela de urgência, a juíza Suelenita Correia determinou a suspensão do acordo do governo do Estado com a Cegecon e proibição de novos contratos de gestão, sob pena de multa diária de R$ 10 mil, em caso de descumprimento. A decisão foi tomada em resposta a ação proposta pelo promotor de Justiça Fernando Krebs, que apontou irregularidades no processo de qualificação dessas instituições para atuação na área de Educação.
Para o promotor, faltaram documentos que atestassem a idoneidade moral dos dirigentes da Cegecon. Essas certidões, explica o promotor, são exigidos a candidatos em concursos públicos.
Quanto à falta de capacidade técnica apontada na ação, Krebs esclarece que, ainda que tenham sido juntados os currículos de alguns membros do instituto, não foi possível verificar a capacidade na área em que a SED escolheu qualificar o Cegecon.
Conforme o Ministério Público de Goiás (MPGO), muitos dos componentes do instituto foram qualificados como professores, o que levaria a crer que têm capacidade profissional para atuar na gestão dos colégios do Estado. Entretanto, ao analisar seus currículos, verificou-se que dos 17 membros apenas 4 possuem formação na área da educação e destes e poucos possuem currículo vasto na área, enquanto os demais têm graduações em esferas que não guardam relação com a área de qualificação do instituto.
Na semana passada, a SED afirmou por nota que todo o processo foi feito estritamente segundo as regras vigentes e com a máxima transparência. No texto, a pasta declarou que o impasse jurídico afeta os cerca de 30 mil matriculados na rede Itego, “implica na demissão de professores e funcionários técnico-administrativos contratados pelas Organizações Sociais e interrompe as obras de ampliação e construção de novas unidades executadas com recursos do Programa Goiás na Frente”.
Já o governo de Goiás declarou que garante aos pais, alunos, funcionários e empresas da Rede Itego que acredita na solução rápida para o impasse jurídico. “Nesse ínterim, continua envidando todos os esforços para que as aulas e as atividades do sistema prossigam normalmente”, diz nota da assessoria.