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Entenda como foi planejado o assassinato de corretor que mobilizou Rio Verde (GO)

O corretor Wellington Ferreira Freitas, de 67 anos, também conhecido como Eltinho, foi assassinado brutalmente…

Wellington Luiz Ferreira Freitas, de 67 anos (Foto: Divulgação)
Wellington Luiz Ferreira Freitas, de 67 anos (Foto: Divulgação)

O corretor Wellington Ferreira Freitas, de 67 anos, também conhecido como Eltinho, foi assassinado brutalmente em Rio Verde. O corpo da vítima foi encontrado carbonizado, em uma propriedade rural às margens da GO-333, na noite do dia 20 de junho. Evidências da perícia revelam que Eltinho foi estrangulado e queimado vivo. Os quatro suspeitos do crime estão presos.

De acordo com o delegado do caso, Adelson Canedo, até o momento, existem quatro homens suspeitos de envolvimento no crime: o mandante, o executor, um intermediário e um auxiliar.

“O mandante negociou e vendeu uma terra que era do Eltinho por um valor muito alto, de cerca R$ 300 milhões. A comissão dessa venda, pode-se imaginar, é de um valor muito alto também, de 5% à 7%. Mas, eles são tão amigos, que fazem um acordo em palavras, sem contrato, para dividirem essa comissão. O negócio que era, inicialmente, de R$ 20 milhões de comissão, teria baixado para R$ 8 milhões. Mas depois, o mandante teria se recusado a pagar esse valor e proposto pagar somente R$ 3 milhões, mas alegando ainda que descontaria e parcelaria essa quantia”, detalha o delegado Adelson.

Planejamento do assassinato de corretor

Decidido a ficar com o dinheiro da comissão da venda da propriedade rural, o mandante do crime procurou um amigo. Em um encontro entre os dois, o fazendeiro pagou uma antiga dívida e, aproveitou a ocasião, para lhe fazer a proposta de ganhar mais R$ 150 mil, caso matasse Eltinho.

De início, o executor alega não ter aceitado a proposta e dito apenas que pensaria no caso. Porém, um intermediário, também a mando do fazendeiro, teria lhe ligado e dito que ajudaria a cobrir qualquer rastro do crime. Com isso, o executor afirma ter se sentido mais seguro para praticar o homicídio sem ser localizado e aceitou a oferta. Poucos minutos depois, o executor recebeu um depósito como um ‘pagamento adiantado’.

Ainda de acordo com o executor, esse intermediário teria lhe dado uma série de ‘dicas’, do que fazer para não ser localizado pela polícia, como usar celulares descartáveis. Tudo isso porque, esse intermediário já havia sido preso e investigado por outros crimes de tentativa de homicídio e homicídios consumados.

Execução

Depois do acordo, o executor recebeu uma série de informações sobre a vítima, como endereços, placas de carro, tipos de carro e fotos. Dessa forma, ligou para Eltinho e disse que estava interessado em adquirir terras na cidade de Rio Verde. A vítima disse ter uma propriedade em mente e aceitou se encontrar com o matador, sem saber de nada.

No caminho até a tal propriedade, em uma estrada de chão, o executor pede para Eltinho parar o carro para fazer xixi. A vítima obecede, mas quando o veículo para o suspeito lhe agride e enforca no banco do motorista, com a ajuda de uma corda que já estava no carro.

“A vítima não entendeu nada. Esse suspeito conta que ele achava que se tratava de um assalto e, inclusive, avisou o executor de que o carro possuía rastreador”, detalha o delegado.

O executor relata que, assim que o corretor perdeu a consciência, checou o pulso para confirmar a morte. Como não sentiu nenhuma pulsação, acreditou ter ‘finalizado o serviço’. Por isso, saiu do carro, abandonou o corpo em um área de mata e foi embora. Horas depois, um auxiliar no crime foi até o local e desapareceu com o carro da vítima.

“Volte e termine seu serviço”

Cerca de 10 horas depois, o intermediário ligou novamente para o executor e lhe disse que ele precisava ‘terminar o serviço’. O delegado Adelson Canedo afirma que essa é uma parte da investigação ainda sem muitas respostas. Ao que tudo indica, alguém voltou na cena do crime e notou que a vítima ainda estava viva, apesar de inconsciente.

O executor voltou à cena do crime e ateou fogo no corpo de Eltinho. O suspeito afirma que não sabia que a vítima estava viva. Porém, um laudo da perícia afirma que havia fuligem nas narinas do corretor, o que significa que o corpo foi incendiado enquanto ele ainda estava vivo.