Iporá

Prefeito que atirou na casa da ex tem ‘intenção apresentar-se às autoridades’, diz defesa

Naçoitan Araújo Leite (sem partido) está foragido; defesa pede revogação da prisão preventiva

Momento em que prefeito de Iporá, Naçoitan Leite, chega à casa da ex (Foto: Reprodução)
Momento em que prefeito de Iporá, Naçoitan Leite, chega à casa da ex (Foto: Reprodução)

O prefeito de Iporá (GO), Naçoitan Araújo Leite, que atirou 15 vezes na casa de sua ex-namorada na madrugada de sábado (18) e está foragido, tem a intenção de se apresentar às autoridades, afirma seu advogado. Segundo a defesa, foram feitos dois pedidos, no Tribunal de Justiça de goiás (TJ-GO) e na comarca do município, pedindo revogação da prisão preventiva. A Justiça de Goiás já havia negado, no domingo (19), um pedido de habeas corpus realizado pela defesa do político.

O advogado Francisco Damião da Silva disse ao GLOBO que entrou com novo pedido de habeas corpus no TJ-GO, solicitando a revogação da prisão preventiva. A defesa alega que medidas protetivas seriam suficientes para resguardar a integridade da vítima. No comarca, o advogado também requereu a invalidação, declarando também que a prisão não seria necessária, com o mesmo argumento de que as medidas protetivas seriam suficientes.

Ainda segundo a defesa, o acusado, que está foragido, tem a intenção de se apresentar para acatar a decisão judicial, mesmo que os pedidos da defesa de Naiçotan não sejam acatados pelo Judiciário.

Outras acusações

Além da atual acusação contra a ex, o político já coleciona outras denúncias criminais na esfera política. Em abril, ele foi denunciado pelo Ministério Público de Goiás pela prática de incitação ao crime depois de propor, por Whatsapp, atentados conta militantes e simpatizantes do PT. Ano passado, após as eleições, ele publicou um vídeo dizendo que era necessário “eliminar Alexandre de Moraes e Lula”, o que resultou na sua suspensão pelo União Brasil.

A denúncia do MP se refere às mensagens enviadas por Naçoitan em março de 2022 nos grupos do Sindicato Rural de Iporá, do qual ele é um dos líderes. Por áudio, ele reclamou que o grupo havia aceitado a contribuição de um petista para ajuda na obra da fachada do sindicato.

O prefeito xingou o doador e, segundo o MP, incitou a prática de crimes contra simpatizantes ou filiados do PT. Na mensagem, ele afirmou “PT com nós (sic) aqui agora é na botina, e se for preciso na bala, entendeu?”.

Outra polêmica aconteceu em 2021, quando o vereador de Iporá, Moisés Victor Magalhães, denunciou que teria sido agredido pelo prefeito ao filmá-lo num churrasco. Nas redes sociais, o parlamentar divulgou fotos de ferimentos nos braços, nas costas e na cabeça. O caso foi parar na polícia.

Na época, o prefeito alegou que o vereador foi indagado sobre o motivo da filmagem pelos presentes e, como reação, teria atirado uma pedra no grupo. Naçoitan negou qualquer agressão e disse que se escondeu para fugir da confusão.

Invasão à casa da ex

O nome de Naçoitan voltou ao noticiário neste sábado (18), após a Polícia de Goiás informar que o está procurando pela e invasão à casa da ex-mulher. Câmeras de segurança flagraram o prefeito derrubando o portão da casa com sua caminhonete.

Segundo a mulher, que não teve o nome revelado por proteção, o prefeito teria “descarregado um pente de arma” na porta do seu quarto. Ela diz ter “certeza” que ele foi ao local com o objetivo de matá-la por não aceitar o término do relacionamento, o que aconteceu há cerca de dois meses.

Foram identificados pelo menos 15 tiros de pistola 9mm. A mulher e o namorado dela, que também estava no local, conseguiram se esconder e não se feriram. A polícia civil investiga o caso como tentativa de feminicídio, e também tentativa de homicídio, contra o homem. Após ao caso, Naçoitan fugiu e ainda não foi localizado.

Procurada, a Polícia Civil de Goiás informou que “está adotando todas as medidas cabíveis para o devido cumprimento do mandado de prisão preventiva expedido pelo Poder Judiciário”.