Estados Unidos

Campanha de Biden reafirma que ele será candidato e alega que retirada ‘levaria ao caos’

Estrategista do candidato democrata argumenta que saída de Biden da disputa favoreceria vitória de seu rival, Donald Trump

Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden (Foto: Reprodução)
Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden (Foto: Reprodução)

(Jornal O Globo) Após o desempenho fraco de Joe Biden no último debate da corrida presidencial dos Estados Unidos e em meio à pressão para que ele deixe de concorrer, sua campanha argumenta que sua desistência levaria a “semanas de caos” e enfraqueceria um eventual substituto antes do confronto em novembro contra o ex-presidente Donald Trump.

“A brigada dos alarmistas está pedindo para Joe Biden ‘desistir’. Essa é a melhor maneira possível de Donald Trump vencer e nós perdermos”, argumentou o vice-gerente de campanha de Biden, Rob Flaherty, em um e-mail para os apoiadores, ao qual o jornal americano ABC News teve acesso.

“Primeiro de tudo: Joe Biden vai ser o candidato democrata, ponto final. Fim da história. Os eleitores votaram. Ele venceu de forma esmagadora”, acrescentou Flaherty. “E se ele desistisse, isso levaria a semanas de caos, brigas internas e um monte de candidatos que chegariam à convenção exaustos, enquanto Donald Trump teria tempo para falar com os eleitores americanos sem contestação.”

Ele continuou: “Tudo isso seria em prol de um candidato que entraria em uma eleição geral na posição mais fraca possível, com zero dólares em sua conta bancária. Quer um caminho fácil para perder? É esse.”

O desempenho de Biden no primeiro debate eleitoral, na última quinta-feira, foi descrito como “desastroso” e “doloroso” por membros do próprio Partido Democrata, além de levantar preocupações entre doadores da campanha e eleitores sobre sua idade elevada e capacidade de governar o país. O atual presidente dos Estados Unidos tem 81 anos.

A ideia da desistência da candidatura perdura entre analistas e se refletiu nos últimos dias nos editoriais de importantes jornais e revistas internacionais, como o New York Times, o Wall Street Journal, a Time e até o britânico The Economist. Embora possível, a substituição é difícil, sobretudo sem contar com a vontade do próprio Biden de desistir antes da realização da convenção do partido, entre 19 e 22 de agosto.

‘Sei que não sou um homem jovem’

Um dia após o debate, o atual presidente fez um comício para seu eleitorado em Raleigh, na Carolina do Norte, buscando afastar os temores sobre sua capacidade para continuar na corrida pela Casa Branca. Ele afirmou que, ao contrário de seu rival republicano, “sabe dizer a verdade” e comandar o país, apesar de não ser mais tão jovem quanto antes.

— Eu sei que não sou um homem jovem, para dizer o óbvio. Sei que não caminho tão facilmente como antes, não falo tão bem como antes, não debato tão bem como antes, mas sei o que sei. Eu sei dizer a verdade — disse o presidente em tom firme. — Dou minha palavra como Biden. Eu não estaria concorrendo novamente se não acreditasse de todo o meu coração e alma que posso fazer esse trabalho. Porque, francamente, os riscos são muito altos.