Globo veta movimentação livre no debate entre Lula e Flávio
Ao todo, serão quatro blocos
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A Globo vetou a movimentação livre dos candidatos ao Planalto, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), no debate que acontece nesta sexta-feira (23), a partir das 21h20. No confronto eleitoral da Band, no último domingo (18), a campanha do petista acusou o adversário de se posicionar atrás dele para gesticular e ironizar suas falas.
Em comunicado, a Globo informou que, nos três primeiros blocos, “o candidato que tiver a palavra poderá se movimentar pelo cenário livremente. Enquanto isso, o oponente deve se manter em seu púlpito até chegar a sua vez de falar”. No quarto e último bloco, cada presidenciável poderá “se movimentar livremente pelo seu lado do cenário”.
Quanto ao debate, os três primeiros blocos terão temas determinados e o último será livre. A ordem das perguntas será definida por sorteios realizados ao vivo pelo mediador, o jornalista César Tralli.
Confira como vai funcionar:
1º Bloco: Temas Regionais e Nacional
- Estrutura: 6 rodadas de perguntas e respostas.
- Conteúdo: Assuntos relacionados às diferentes regiões do País e 1 tema prioritário de âmbito nacional.
- Tempo: 3 minutos por rodada para cada dupla de candidatos.
- Dinâmica: Os candidatos gerenciam livremente o seu tempo entre:
- Pergunta e réplica OU
- Resposta e tréplica.
2º e 3º Blocos: Temas Predefinidos
- Conteúdo: Perguntas baseadas em temas apresentados no telão e escolhidos pelos próprios candidatos.
- Dinâmica de Tempo: Mesma regra do 1º bloco (3 minutos por rodada para administrar entre pergunta/réplica e resposta/tréplica).
4º Bloco: Tema Livre
- Conteúdo: Tema livre à escolha dos candidatos.
- Tempo: 8 minutos no total de tempo de fala para cada candidato.
- Intervenções: Sem limite de intervenções durante o uso do tempo acumulado.
Checagem de fatos
Durante o embate, o Grupo Globo fará uma cobertura especial para verificar as declarações dos candidatos. Mais de 30 jornalistas da empresa trabalharão para agilizar o processo e farão a publicação das checagens no G1, além dos sites dos jornais O Globo, Valor Econômico, Extra e rádio CBN.
Além das publicações que ocorrerão durante o confronto eleitoral, o serviço seguirá desmentindo as informações falsas durante a madrugada, até que todas as falas sejam checadas. A Globonews também fará um programa comentando o que foi dito durante o debate.
Vale citar que foi feita uma petição online pela checagem de fatos em tempo real no debate da TV Globo. O abaixo-assinado criado por Rafael Brito já soma mais de 1,15 milhão de assinaturas nesta manhã.
“No último debate do segundo turno, na Rede Bandeirantes, presenciamos momentos de desinformação e propagação de fake news, mesmo na presença de jornalistas experientes. Isso não apenas afeta o resultado das eleições, mas também enfraquece a confiança das pessoas em nosso sistema democrático”, justifica a petição no change.org.
“Não podemos aceitar que afirmações comprovadamente falsas sejam apresentadas a milhões de brasileiros sem esclarecimentos imediatos na própria transmissão. Os debates eleitorais não são simples espetáculos televisivos, tampouco arenas em que candidatos devem ter liberdade para manipular a realidade sem serem confrontados com os fatos. Eles são instrumentos fundamentais da democracia. São oportunidades para que a população conheça propostas, avalie argumentos, confronte discursos com a realidade e tome decisões conscientes sobre o futuro do país”, continuou.
Os destinatários do abaixo-assinado são o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o presidente da Globo, João Roberto Marinho, o diretor-geral de Jornalismo da emissora, Ricardo Villela, e o jornalista César Tralli, responsável pela mediação do confronto eleitoral.
Segundo Brito, muitos países já adotaram a prática de checagem de fatos em tempo real com sucesso. “A verdade não pode ser relativizada dentro de um veículo de imprensa. Uma mentira não pode receber o mesmo tratamento que um fato comprovado. A imprensa é guardiã da democracia e deve ser responsável.”
Debate anterior
Após o debate da Band, no último domingo (18), agências de checagem realizaram a apuração sobre as afirmações incorretas dos candidatos. Entre declarações falsas, consta uma fala de Flávio que atribui a Lula e à primeira-dama Janja o gasto de R$ 7 bilhões com viagens. O valor corresponde a despesas de diferentes órgãos do governo federal. Já o petista afirmou que a economia brasileira só voltou a crescer acima de 3% após seu retorno à presidência, em 2023. Esse patamar também foi superado nas gestões de Dilma Rousseff (PT) e Jair Bolsonaro (PL).
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