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Anvisa aprova injeção semestral de medicamento que previne HIV; saiba tudo

Lenacapavir já é apontado como avanço histórico no combate ao HIV

Anvisa aprova injeção semestral de medicamento que previne HIV Lenacapavir já é apontado como avanço histórico no combate ao HIV
(Foto: Bruno Velasco)

A Anvisa autorizou o uso de uma injeção aplicada a cada seis meses como nova estratégia de prevenção ao HIV, ampliando as opções de profilaxia pré-exposição (PrEP) no Brasil. A decisão representa um avanço importante no combate ao vírus e reforça as políticas de prevenção combinada adotadas no país.

O medicamento aprovado é o lenacapavir, indicado para adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 kg, que estejam sob risco de infecção pelo HIV-1 por via sexual. Antes de iniciar o uso, é obrigatório que o paciente apresente teste negativo para HIV.

Apesar da aprovação do registro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, o medicamento ainda depende da definição do preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). A eventual oferta pelo SUS será avaliada pela Conitec e pelo Ministério da Saúde.

Nos Estados Unidos, onde o lenacapavir já foi aprovado, o alto custo tem sido um dos principais pontos de debate. Segundo reportagem do The New York Times, a farmacêutica Gilead informou que o valor anual da PrEP com lenacapavir pode chegar a US$ 28.218, o equivalente a mais de R$ 150 mil na cotação atual.

O fármaco atua bloqueando múltiplas etapas do ciclo de replicação do HIV-1, ao inibir a função do capsídeo viral. Com isso, o vírus se torna incapaz de se multiplicar no organismo. O tratamento combina duas formas farmacêuticas: um comprimido oral, utilizado na fase inicial, e uma injeção subcutânea, aplicada semestralmente.

Além da prevenção, o lenacapavir também teve o registro aprovado para o tratamento de pacientes multiexperimentados (HTE), ou seja, pessoas com HIV resistente a múltiplas classes de antirretrovirais, ampliando as possibilidades terapêuticas no país.

Atualmente, a PrEP está disponível gratuitamente no Brasil desde 2018, por meio do SUS, em esquema oral diário com tenofovir disoproxil + emtricitabina. Embora eficaz, esse modelo exige adesão rigorosa, com uso diário do medicamento e acompanhamento frequente nas unidades de saúde.

O lenacapavir surge como alternativa para pessoas que têm dificuldade de manter o uso diário de comprimidos. Em julho de 2025, a OMS (Organização Mundial da Saúde) passou a recomendar o medicamento como uma das melhores opções de PrEP, sendo considerado a principal alternativa disponível antes de uma vacina contra o HIV.

Estudos clínicos apresentados às agências reguladoras demonstraram 100% de eficácia na redução da incidência do HIV-1 em mulheres cisgênero, além de 96% de eficácia em comparação com a incidência de base do vírus e 89% de superioridade em relação à PrEP oral diária.

Com a decisão da Anvisa, o lenacapavir passa a integrar o conjunto de ferramentas para reduzir a transmissão do HIV no Brasil, fortalecendo as estratégias de prevenção e ampliando o acesso a novas tecnologias em saúde pública.