Cibercondria: busca por doenças na internet acende alerta entre médicos
Pesquisar sintomas online pode provocar ansiedade
A cibercondria é o termo usado para descrever a ansiedade gerada pela busca frequente de sintomas de saúde na internet e pela tendência de assumir doenças graves sem avaliação médica. O comportamento tem se tornado mais comum com o fácil acesso à informação digital e à circulação de conteúdos sem validação científica.
Embora a pesquisa sobre saúde seja considerada normal, especialistas alertam que o problema surge quando ela passa a ser compulsiva e provoca sofrimento emocional.
“Quase todo mundo busca informações sobre saúde na internet. Na maioria dos casos, o que encontramos é tranquilizador; e se nos preocupa, geralmente é porque essas preocupações não têm fundamento”, afirma Juan G. Castilla, psicólogo da saúde e consultor de saúde pública do Colégio Oficial de Psicólogos de Madri (COP), em entrevista ao site CuídatePlus.
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Segundo ele, a principal diferença entre a curiosidade comum e a cibercondria está na intensidade e repetição das buscas, que acabam ampliando a ansiedade em vez de reduzir.
De acordo com Castilla, o fenômeno está ligado a uma necessidade de controle e à lógica de imediatismo.
“Vivemos em uma sociedade que precisa das coisas para já. A rapidez com que se obtém informação reforça esse comportamento e gera a sensação de estar mais bem informado do que os outros”, explica.
No entanto, o excesso de informações sem critério pode distorcer a percepção dos sintomas. “Frequentemente buscamos compulsivamente e sem o rigor necessário”, alerta.
Principais sinais de cibercondria
Entre os comportamentos mais comuns estão:
- Pesquisar repetidamente sintomas em sites, fóruns ou ferramentas de IA;
- Associar sintomas leves a doenças graves;
- Sentir aumento da ansiedade após as leituras;
- Desconfiar de médicos e buscar várias opiniões sem aceitar diagnósticos;
- Pensamentos constantes sobre doenças e morte.
Quando buscar ajuda
O especialista destaca que sintomas reais devem ser avaliados diretamente por profissionais de saúde.
“Se houver sintomas, você vai ao médico, que avalia, realiza exames, diagnostica e prescreve o tratamento. É assim que sempre foi feito”, afirma.
Quando a busca online se torna excessiva e interfere na rotina, a recomendação é procurar acompanhamento psicológico. Segundo Castilla, em alguns casos a cibercondria pode estar associada ao medo da morte, inseguranças emocionais ou quadros depressivos.
Especialistas reforçam que informação em saúde deve complementar, e não substituir, a avaliação clínica.