ARREPENDIMENTO

Caso Beatriz: advogada diz que réu confesso se arrepende e chora ao falar do crime

Segundo a defensora, o cliente confessou a autoria "para aliviar o coração da mãe da menina"

Após seis anos, polícia identifica assassino de Beatriz, morta com 42 facadas em PE
Após seis anos, polícia identifica assassino de Beatriz, morta com 42 facadas em PE

A advogada Niedja Mônica da Silva, que representa o homem que confessou matar a menina Beatriz Angélica em uma escola particular de Petrolina (PE), disse que Marcelo da Silva, réu confesso, se arrepende do crime e chora ao falar sobre o assassinato. O crime ocorreu em 2015 e o autor só foi identificado em janeiro de 2021, após a Polícia Científica confirmar que o DNA do homem era o mesmo que estava na faca deixada no tórax da criança.

Durante entrevista à Globo, a defensora afirmou que o cliente confessou a autoria “para aliviar o coração da mãe da menina”. Segundo a advogada, o homem também diz que quer pagar pelo que fez.

“Ele disse que quer ver a mãe [da menina] para pedir perdão. Porque ele disse que foi uma de uma monstruosidade muito grande e quer pagar pelo que fez. Depois que ele viu o drama da mãe, ele disse que quis contar para aliviar o coração dela, para ficar em paz. Ele usa essa expressão: ‘eu quis aliviar o coração dela para ela ficar em paz. Que realmente o culpado sou eu'”, comentou Niedja.

Marcelo da Silva já cumpria pena por estupro de vulnerável, ameaça e cárcere privado. O homem estava preso desde 2017 no presídio de Salgueiro, no Sertão, e foi transferido para um presídio no Grande Recife na última quinta (13).

Caso Beatriz: autoria foi identificada seis anos após o crime

Depois de seis anos, um mês e um dia do crime, a polícia o anunciou Marcelo da Silva como suspeito de matar Beatriz. A identificação teria ocorrido através do DNA dele, que foi compatível ao do que encontrado na faca que foi cravada no tórax da garota na ocasião.

A polícia também afirmou que ele confessou o crime. Lucinha Mota, mãe da vítima, foi informada pela imprensa sobre a identificação do suspeito. À noite, através das redes sociais, ela se pronunciou e disse que não queria que um inocente pagasse pelo crime e que o DNA, por si só, não era suficiente.

“Então, eu estou aqui, nós estamos aqui com muita fé de que ele é o assassino de Beatriz, mas ainda é pouco. Eu acredito [que ele seja o autor do crime], pelos elementos que eles apresentaram, que é o resultado do DNA, que é incontestável, e as características físicas, mas isso só não é suficiente”, completou a mãe de Beatriz.

Suspeito teria agido sozinho, diz polícia

A SDS informou, ainda, que os indícios apontam que Marcelo agiu sozinho e não teve ajuda de outas pessoas. A mãe da menor, entretanto, acredita que possa haver um mandante e que possíveis problemas da escola em que a menina morreu podem ter a ver com a motivação do crime.

Lucinha ainda revelou que teve acesso a vídeos em que o suspeito aparece com o que seria um telefone. “Ele chega, ele esconde a faca, ele recebe uma ligação ou uma mensagem, ele bota o telefone próximo à orelha dele, como se estivesse recebendo uma ligação. Ele vai no canteiro, pega a faca, bota no pé e parte em direção ao colégio. Pelo amor de Deus, não precisa ser nenhum expert para entender que, ali, alguém avisou a ele. O quê? O momento certo de entrar? Essas coisas que precisam ser identificadas”, questionou.