Chefe de segurança de Vorcaro, Luiz Phillipi Machado tenta se matar na prisão
Homem conhecido como 'Sicário' foi reanimado e encaminhado a hospital
O chefe de segurança de Daniel Vorcaro, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, tentou tirar a própria vida na tarde desta quarta-feira (4) enquanto estava preso na superintendência da Polícia Federal em Belo Horizonte (MG). Policiais federais que estavam no local iniciaram imediatamente os procedimentos de reanimação, que duraram cerca de 30 minutos, e conseguiram estabilizá-lo.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e deu continuidade ao socorro. O custodiado foi encaminhado para a rede hospitalar para avaliação médica.
Preso na Operação Compliance Zero
Apontado pela Polícia Federal como responsável por monitorar e planejar ataques contra adversários do banqueiro Daniel Vorcaro, Mourão foi um dos alvos da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira.
Ele foi levado para a superintendência da PF em Belo Horizonte, onde permaneceria preso e passaria por audiência de custódia ainda no mesmo dia.
De acordo com a investigação, Mourão era coordenador de segurança de Vorcaro e comandava uma estrutura informal conhecida como “A Turma”, utilizada para:
- vigilância de alvos
- obtenção de informações
- monitoramento de pessoas ligadas a investigações ou críticas ao grupo
Os investigadores afirmam que ele recebia cerca de R$ 1 milhão por mês pelos supostos serviços ilícitos.
Suspeita de acessos ilegais a sistemas
A Polícia Federal sustenta que Mourão realizava consultas indevidas em sistemas restritos de órgãos públicos, utilizando credenciais de terceiros.
Segundo a apuração, houve acessos a bases de dados:
- da própria Polícia Federal
- do Ministério Público Federal
- de sistemas internacionais
A PF informou que comunicou o episódio ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e que entregará todos os registros em vídeo sobre a ocorrência na carceragem.
Ordem para intimidar jornalista
Na decisão que autorizou as prisões, o ministro André Mendonça apontou indícios de que Daniel Vorcaro teria trocado mensagens com Mourão determinando a simulação de um assalto para “prejudicar violentamente” o colunista Lauro Jardim.
O objetivo, segundo o ministro, seria “calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”.
Em nota, o jornal O Globo repudiou as iniciativas criminosas contra o jornalista.
Histórico e outras investigações
Mourão já é réu desde 2021 em ação do Ministério Público de Minas Gerais que apura suspeitas de:
- lavagem de dinheiro
- organização criminosa
- crime contra a economia popular
As investigações indicam que ele e outros envolvidos teriam montado um esquema de pirâmide financeira para atrair investidores em todo o país.
Entre junho de 2018 e julho de 2021, segundo o MP, Mourão movimentou R$ 28 milhões em contas de empresas ligadas a ele. A apuração também aponta que ele teria atuado como agiota antes de integrar o suposto esquema.
Análise de inteligência da Polícia Militar de Minas Gerais no celular apreendido do investigado indicou que ele exercia papel de liderança relevante na organização criminosa.
O que diz a defesa
Procurada, a defesa afirmou ter sido surpreendida com a tentativa de suicídio e informou que um advogado se deslocou para a sede da Polícia Federal em Belo Horizonte.
Mais cedo, durante depoimento, Mourão exerceu o direito de permanecer em silêncio.
Sobre o processo que apura a pirâmide financeira, a defesa sustenta que houve nulidades na obtenção das provas, alegando ausência de autorização judicial para determinados procedimentos investigativos.
Os advogados informaram que só irão se manifestar sobre a prisão após terem acesso completo aos autos do inquérito.