Cientistas criam dispositivo para estudar flatulência e fazem descoberta sobre o corpo humano
Monitor é colado na roupa íntima perto do ânus
A emissão de gases ainda é um tema pouco explorado pela ciência. Para avançar nas pesquisas sobre o microbioma intestinal, cientistas da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, desenvolveram um pequeno sensor que se prende à roupa íntima e monitora, em tempo real, a flatulência – o famoso pum.
O dispositivo mede a concentração de hidrogênio presente na flatulência. Esse gás é produzido exclusivamente pelas bactérias do intestino quando elas fermentam fibras e carboidratos que o corpo humano não consegue digerir. Quanto maior a atividade bacteriana, maior a liberação de hidrogênio.
O sensor tem cerca de 2,5 centímetros, funciona com bateria por até uma semana e pode ser usado durante as atividades diárias. A proposta é permitir o monitoramento contínuo do metabolismo das bactérias intestinais, algo que os métodos tradicionais — como exames de fezes, sangue ou testes respiratórios — não conseguem fazer de forma prolongada.

O estudo, publicado na revista científica Biosensors and Bioelectronics: X, contou com 38 participantes. O dispositivo detectou mudanças na dieta com 94,7% de precisão. Além disso, uma descoberta sobre o corpo humano: os voluntários liberaram, em média, 32 gases por dia — número superior aos 10 a 20 episódios normalmente relatados em pesquisas.
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A variação entre os participantes também chamou atenção. A frequência diária variou de quatro a 59 episódios, indicando que pode não existir um padrão considerado “normal” quando se trata da atividade intestinal.
Para testar a eficácia do sensor, os pesquisadores realizaram um experimento alimentar. Após dois dias com restrição de fibras, os participantes ingeriram balas comuns, feitas com açúcar refinado, e no dia seguinte consumiram balas contendo inulina, uma fibra não digerível. O dispositivo identificou aumento da atividade bacteriana em 36 dos 38 voluntários após o consumo da fibra, geralmente entre três e quatro horas depois da ingestão.
Segundo os cientistas, a tecnologia pode ajudar a compreender melhor como as bactérias intestinais respondem à alimentação e até auxiliar na identificação de condições como intolerância à lactose.