De volta à cela

Comunicado do STJ sobre decisão que reenvia João de Deus chega à Comarca de Abadiânia

O comunicado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre decisão que reenvia o médium João…

O comunicado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre decisão que reenvia o médium João Teixeira de Faria, o João de Deus, à prisão está na mesa da juíza Rosângela Rodrigues, da Comarca de Abadiânia. A informação foi confirmada pela assessoria do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) na manhã desta quinta-feira (6). A qualquer momento o líder espiritual deverá ser encaminhado para uma cela no Núcleo de Custódia, no Complexo Prisional de Aparecida, onde já cumpria prisão preventiva por série de abusos investigada pelo Ministério Público estadual e Polícia Civil.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ), por meio da Sexta Turma, negou, na tarde desta terça-feira (4), dois pedidos de habeas corpus do médium. Com a decisão, João de Deus voltará para a cadeia e terá que continuar o tratamento médico dentro da penitenciária.

Por meio de nota, o Instituto de Neurologia de Goiânia, hospital em que o réu se encontra atualmente, informou que ainda não foi comunicado sobre a decisão STJ. “O paciente, de acordo com a equipe médica do hospital, já pode ter alta e sua saída do Instituto de Neurologia de Goiânia depende, agora, da Diretoria-Geral de Administração Penitenciária de Goiás (DGAP)”, diz trecho.

No texto, a unidade explica ainda que os médicos que acompanham o paciente encaminharam um laudo à Justiça informando que João Teixeira de Faria está em condições de ter alta da internação hospitalar, mas necessita de acompanhamento home care (cuidados em casa). A oferta ou não deste serviço deve ser definida pela Justiça e pela DGAP.

Nova denúncia

A força-tarefa do MP, criada para apurar denúncias de crimes praticados pelo médium João de Deus, apresentou nesta terça-feira (4), mais uma denúncia ao Judiciário. Desta vez, o líder espiritual é acusado de violação sexual mediante fraude contra dez vítimas. Os crimes teriam acontecido na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, durante o atendimento coletivo, no local conhecido como “Sala da Entidade”, enquanto as vítimas passavam pela fila de atendimento.

De acordo com a denúncia, ao final do atendimento, o réu ficava sentado em um trono, aguardando para ter contato com os visitantes. No momento desse atendimento, as vítimas se ajoelhavam perante o médium, que, aproveitando-se da situação, sob o fraudulento pretexto de realizar um atendimento espiritual, esfregava a mão da ofendida sobre seu órgão genital.

As vítimas são todas mulheres, entre 20 e 35 anos, do Distrito Federal, de São Paulo e do Paraná. Os abusos aconteceram entre 2015 e 2018, na presença de diversas pessoas que, conforme o MP, eram instruídas a ficar olhos fechados e cabeça baixa durante todo o tempo de oração. Caso abrissem os olhos, eram convidadas a se retirar do local.

Segundo a força-tarefa, os funcionários da Casa eram os únicos que ficavam de olhos abertos e tinham conhecimento de tudo o que acontecia dentro da sala. “Eles não só tinham conhecimento dos fatos, como também contribuíam para viabilizar os delitos e impedir que as vitimas denunciassem, fazendo com que elas duvidassem do ocorrido”, disse a promotora Ariane Patrícia Gonçalves, em entrevista coletiva nesta quarta-feira (5).

Funcionários

Ainda conforme o MP, a força-tarefa trabalha agora para identificar os funcionários e pessoas que contribuíram de alguma forma com os crimes. Segundo o promotor Augusto Cezar Souza, havia uma rede de proteção para viabilizar a prática dos crimes. “Funcionários, voluntários, e até donos de pousadas da região sabiam o que acontecia e não reagiam, além de fazer com que as vítimas acreditassem que não eram abusos, mantendo-as em estado de dúvida para não denunciar o médium”, disse.

Esta é a oitava ação penal contra João de Deus protocolada no Fórum de Abadiânia por crimes sexuais. Já são mais de 90 vítimas. Outras duas denúncias por porte ilegal de armas foram oferecidas. Também está em curso ação civil pública para ressarcimento de danos morais.