Alta no querosene pressiona novo aumento das passagens aéreas no Brasil
Reajuste anunciado eleva peso do combustível nos custos das companhias e pode acelerar nova rodada de aumentos nas tarifas
O recente aumento no preço do querosene de aviação (QAV) deve ter reflexo direto no bolso dos consumidores. O combustível, que já vinha pressionando os custos das companhias aéreas, sofreu reajuste médio de 54,8%, segundo comunicado da Petrobras divulgado após atualização da tabela na última quarta-feira (1º).
De acordo com a estatal, a variação pode alcançar até 56%, a depender da região do país e do modelo de comercialização. O movimento ocorre em meio à disparada do petróleo no mercado internacional, influenciada pela guerra no Oriente Médio. Antes do início do conflito, em 28 de fevereiro, o barril do tipo Brent, que é a referência global, era negociado próximo de US$ 70. Na tarde da última quarta, o valor havia saltado, por exemplo, para mais de US$ 100.
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Maior fatia nas despesas
Com a alta, o combustível amplia sua participação nas despesas das empresas aéreas. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) informou que, somados os reajustes aplicados desde março, o QAV passou a representar 45% dos custos operacionais do setor, percentual bem superior aos cerca de 30% registrados anteriormente.
No documento, a entidade destacou que o aumento recente se soma ao reajuste de 9,4% que já estava em vigor desde 1º de março. Com isso, o impacto tende a chegar na ponta, ou seja, nas tarifas que são cobradas do consumidor final.
As passagens aéreas já acumulam oscilações significativas nos últimos anos. Entre 2021 e 2023, os bilhetes registraram elevações que variaram de 17,59% a 47,24%, índices acima da inflação oficial do período. Em 2024, houve recuo expressivo de 22,20%.
No entanto, a trajetória voltou a ser de alta posteriormente. O ano de 2025 encerrou com avanço de 7,85% nas tarifas. Já em 2026, janeiro apresentou queda de 8,90%, mas fevereiro interrompeu o movimento de recuo, com inflação de 11,40% nas passagens. Com o novo cenário de custos, o setor sinaliza que os preços podem voltar a subir nos próximos meses.
No dia a dia
Os impactos da guerra não se restringem apenas às empresas aéreas. Os reflexos também são aparentes no dia a dia dos brasileiros. O preço do gás de cozinha, por exemplo, foi duramente afetado. Em Goiás, o estimado, conforme mostrado pela reportagem do Mais Goiás, é de que o produto sofra uma alta de até R$ 8.
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Conforme expõe o presidente do Sindicato das Empresas Revendedoras de Gás da Região Centro-Oeste (Sinergás), Zenildo Dias do Vale, o custo do diesel impacta diretamente o transporte e a distribuição do produto em regiões mais distantes. “Em algumas regiões do estado o diesel está sendo comercializado a R$ 9. Isso encarece muito o transporte do nosso produto”, explicou à reportagem.
Conflito
A disparada tem como pano de fundo os conflitos entre EUA e Irã. Ataques ocidentais impactaram a produção e distribuição de barris no Estreito de Ormuz. Atualmente, 30% do diesel consumido no Brasil é importado.
A guerra afeta diretamente o processo de deslocamento e, consequentemente, importação desse insumo. A situação força o mercado a depender mais do fornecimento da Petrobrás. Com isso, o País enfrenta o risco de falta do produto ou de aumento de preço nas bombas. Dependendo da situação e do desenrolar da guerra, as duas coisas.