Jovens iniciam vida sexual cada vez mais cedo e uso de camisinha cai no Brasil
Queda no uso de preservativo e aumento da desigualdade acendem alerta
O início da vida sexual entre adolescentes brasileiros tem acontecido cada vez mais cedo, enquanto o uso de camisinha apresenta queda — um cenário que acende alerta entre especialistas em saúde e educação. Dados de 2024 mostram mudanças importantes no comportamento dos jovens, com impactos diretos na prevenção de doenças e na gravidez precoce.
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Entre estudantes de 13 a 15 anos, 20,7% já iniciaram a vida sexual. Já na faixa de 16 e 17 anos, o índice sobe para 47,6%, indicando que quase metade dos adolescentes mais velhos já teve relação. Apesar disso, o uso de camisinha vem diminuindo. Na primeira relação sexual, 61,7% disseram ter usado preservativo — uma queda de 1,6 ponto percentual em comparação com 2019. Os dados são do IBGE.
Na relação mais recente, a redução também foi registrada: o uso de camisinha passou de 59,1% para 57,2%, reforçando a preocupação com a diminuição da proteção entre os jovens.
Quando o assunto é evitar a gravidez, a pílula anticoncepcional lidera entre os métodos utilizados, sendo citada por 51,1% dos adolescentes. Em seguida aparece a pílula do dia seguinte, com 11,7%. O uso de anticoncepcional injetável foi mencionado por 11,6% dos estudantes.
Queda no uso de preservativo preocupa especialistas
Outros métodos somaram 15%, incluindo opções como DIU, implante, adesivo e diafragma (4,7%), além de práticas menos seguras, como tabelinha e coito interrompido (10,3%), o que também preocupa especialistas por apresentarem menor eficácia.
Os dados revelam ainda o impacto da gravidez na adolescência. Cerca de 121 mil meninas entre 13 e 17 anos já engravidaram ao menos uma vez, o que representa 7,3% das que já tiveram relação sexual. A grande maioria, 98,7%, é de estudantes da rede pública.
A desigualdade entre escolas públicas e privadas aumentou nos últimos anos. Em 2019, a gravidez entre adolescentes era quase três vezes mais comum na rede pública. Em 2024, essa diferença cresceu e passou a ser oito vezes maior, evidenciando um cenário de vulnerabilidade social e falta de acesso à informação e aos serviços de saúde.