Mapa da felicidade revela que jovens de 16 a 24 anos são os menos felizes do país
Mulheres com mais de 60 anos aparecem entre as mais satisfeitas com a vida
Os jovens de 16 a 24 anos são os brasileiros que menos se consideram felizes, segundo o Mapa da Felicidade Real dos Brasileiros, pesquisa realizada pela pesquisadora em Ciência da Felicidade Renata Rivetti em parceria com o Instituto Ideia. O levantamento, que ouviu 1,5 mil pessoas em todas as regiões do país entre 20 de fevereiro e 1º de março de 2026, aponta que essa faixa etária apresenta os menores índices de satisfação com a vida, além de relatar menos apoio social, mais preocupações frequentes e maior impacto negativo relacionado ao trabalho.
Os dados também mostram que, enquanto os mais jovens enfrentam desafios relacionados ao bem-estar e à saúde mental, mulheres com mais de 60 anos aparecem entre os grupos com os maiores níveis de satisfação com a vida.
Jovens de 16 a 24 anos têm menor satisfação com a vida
Entre os entrevistados de 16 a 24 anos, apenas 33% afirmaram estar muito satisfeitos com a vida. Nas demais faixas etárias, acima dos 25 anos, esse percentual chegou a 47,9%.
A diferença também aparece entre aqueles que disseram estar satisfeitos com a vida que levam. Entre os jovens, o índice foi de 32,5%, enquanto entre os adultos mais velhos alcançou 50,5%.
Outro indicador avaliado foi a percepção de felicidade. Segundo o estudo, 81% dos jovens afirmaram se considerar felizes, contra 90,8% registrados entre os participantes com mais de 25 anos.
Menos apoio social e mais preocupação
O Mapa da Felicidade também identificou diferenças na percepção sobre o apoio recebido por familiares e amigos. Entre os jovens, 79% disseram ter pessoas com quem podem contar em momentos de dificuldade. Nas demais faixas etárias, esse índice foi de 88,5%.
Além disso, os participantes mais novos relataram conviver com a preocupação de forma mais intensa. De acordo com a pesquisa, 27% afirmaram sentir preocupação com frequência, percentual superior aos 18% registrados entre os adultos mais velhos.
Segundo Renata Rivetti, os resultados mostram que a juventude atual enfrenta desafios que vão além das tradicionais descobertas dessa fase da vida, refletindo uma geração com menor satisfação, menos conexão social e mais dificuldades no cotidiano.
Trabalho pesa mais para os jovens
A relação com o trabalho também apresentou diferenças significativas entre as faixas etárias.
Quase 46,7% dos jovens disseram que o trabalho contribui para aumentar sua infelicidade. Entre os entrevistados acima dos 25 anos, esse percentual caiu para 20,5%, indicando uma percepção menos negativa da vida profissional.
Para a pesquisa, fatores como saúde mental, condições de vida e relações sociais ajudam a explicar esse cenário entre os brasileiros mais jovens.
Redes sociais influenciam o bem-estar
As redes sociais aparecem como outro fator relacionado à percepção de felicidade.
Segundo o levantamento, 77% dos jovens afirmaram já ter comparado a própria vida com a de outras pessoas nas plataformas digitais. Além disso, 71,1% disseram que já se sentiram tristes após consumir esse tipo de conteúdo.
Os dados reforçam a influência do ambiente digital sobre o bem-estar emocional dessa geração, especialmente quando associado à comparação constante com padrões de sucesso e felicidade compartilhados nas redes.
Mulheres acima de 60 anos estão entre as mais satisfeitas
Na outra ponta do levantamento estão as mulheres com mais de 60 anos, que registraram alguns dos maiores índices de satisfação com a vida.
Entre elas, 60,1% disseram estar muito satisfeitas com a própria trajetória, acima da média nacional de 45,9%. Já 63,3% afirmaram estar satisfeitas com o cotidiano, enquanto a média geral foi de 48,1%.
No campo profissional, 50% declararam alto grau de satisfação com o trabalho, percentual superior aos 38% da população em geral. Apenas 13% disseram que o trabalho contribui para a infelicidade, índice bem abaixo da média nacional de 23,4%.
Mulheres de meia-idade enfrentam mais desafios
O estudo aponta que esse cenário de maior bem-estar ainda não se repete entre as mulheres de 45 a 59 anos.
Nessa faixa etária, 25,6% afirmaram sentir preocupação com muita frequência, acima da média geral de 18,9%. Outro dado que chama atenção é a percepção de segurança: apenas 31,8% disseram sentir-se seguras ao caminhar sozinhas à noite, enquanto a média nacional é de 47,1%.
Em relação às redes sociais, mulheres maduras demonstraram menor tendência à comparação social do que a população em geral. Entre aquelas de 45 a 59 anos, 36,9% afirmaram comparar a própria vida com a de outras pessoas nas plataformas. Já entre as mulheres com 60 anos ou mais, o índice foi de 45,1%, ambos abaixo da média nacional de 56,5%.
Além disso, apenas 37,3% das entrevistadas com mais de 60 anos disseram sentir tristeza após utilizar as redes sociais, percentual inferior aos 50,5% registrados na média da população brasileira.