O ChatGPT pode saber mais sobre você do que imagina; veja como descobrir
Você nunca contou sua renda, onde mora ou alguns traços da sua personalidade ao ChatGPT? Mesmo assim, a inteligência artificial pode ter deduzido essas informações a partir do histórico de...
Inteligência Artificial pode deduzir fatos sobre sua vida que você nunca revelou (Foto ilustrativa: magnific/reprodução)
Você nunca contou sua renda, onde mora ou alguns traços da sua personalidade ao ChatGPT? Mesmo assim, a inteligência artificial pode ter deduzido essas informações a partir do histórico de conversas. Um teste realizado com ChatGPT e Gemini mostrou que os chatbots conseguem fazer inferências sobre idade, perfil psicológico, rotina e condição socioeconômica. Confira quatro comandos que podem revelar o que essas ferramentas já descobriram sobre você.
Pode ser inquietante descobrir o que o Gemini e o ChatGPT aprenderam sobre você ao longo de diferentes conversas e perceber com que facilidade essas ferramentas conseguem construir um perfil do usuário. Foi exatamente isso que aconteceu com um usuário frequente dos dois chatbots ao testar comandos que pediam para as plataformas revelarem tudo o que haviam deduzido sobre sua vida.
Mesmo sem compartilhar informações extremamente pessoais, como faria em uma sessão de terapia, ele percebeu que as inteligências artificiais haviam identificado corretamente aspectos que jamais foram informados de forma direta. Entre eles estavam sua faixa de renda, problemas de saúde e até características de sua personalidade.
Os sistemas chegaram a essas conclusões ao conectar informações espalhadas por diversas conversas. Isoladamente, cada dado parecia inofensivo, mas, reunidos, mostraram que os chatbots conheciam detalhes sobre sua vida comparáveis aos de pessoas muito próximas.
Pesquisadores ouvidos pela reportagem afirmam que essa capacidade demonstra que os assistentes de inteligência artificial não apenas preveem palavras, mas também estabelecem relações entre informações capazes de indicar condição socioeconômica, comportamento psicológico e até posicionamentos políticos.
“Isso mostra a dimensão do que está acontecendo nos bastidores”, disse Margaret Mitchell, pesquisadora da empresa de IA Hugging Face.
Ela também liderou a equipe de IA ética do Google e afirmou ter sido demitida após questionar decisões internas. Procurado, o Google respondeu que os usuários podem configurar o Gemini para decidir se conversas anteriores serão utilizadas na elaboração das respostas. Já a OpenAI não comentou o assunto.
1. “Conte-me tudo o que você descobriu sobre mim e que eu nunca realmente mencionei — as coisas que você deduziu pela maneira como escrevo e pelas perguntas que faço, incluindo minha idade, nível de renda, onde moro e minha situação pessoal. Mostre o que te levou a essas conclusões.”
Segundo o relato, os chatbots acertaram a faixa etária do usuário, estimando que ele estivesse no início dos 40 anos. O Gemini também identificou corretamente a cidade onde ele mora e deduziu que vivia em um bairro valorizado ao relacionar perguntas sobre manutenção de motocicleta, reparos em automóvel e pintura de móveis externos.
“Isso exige uma garagem, uma entrada para veículos ou uma área externa dedicada para trabalho — comodidades muito mais comuns em casas unifamiliares nas colinas de Oakland do que nos imóveis de alta densidade do centro da cidade ou da região do Lake Merritt”, explicou o chatbot.
Ferramenta consegue promover análises e fazer conexões com base em várias conversas sobre temas diversos, explica especialista (Foto ilustrativa: Magnific/ reprodução)
2. “Preveja como eu lidaria com situações sobre as quais nunca falei: dinheiro, estresse, conflitos, riscos e qual será provavelmente a próxima grande decisão da minha vida. Diga também o grau de confiança que você tem em cada previsão.”
A CEO da Groundwork Collaborative, Lindsay Owens, afirmou que esse comando revelou o alcance das informações reunidas pelos chatbots. O ChatGPT identificou corretamente aspectos de sua rotina como mãe, viajante frequente e consumidora.
“A abrangência das informações e dos dossiês que ele consegue montar é extraordinária”, afirmou Owens. “Nunca antes foi possível reunir esse nível de informação sobre uma pessoa.”
No caso do autor da experiência, os chatbots também concluíram que ele costuma pesquisar bastante antes de fazer compras, mas procura promoções constantemente, indicando um perfil econômico. O Gemini chegou a prever que ele poderia vender o próprio carro em breve, decisão que o usuário havia comentado recentemente com a esposa.
3. “Com base em tudo o que você sabe sobre mim, diga quais traços de personalidade eu provavelmente não enxergo em mim mesmo. Quais são meus pontos cegos, minhas inseguranças e como eu realmente passo a impressão para os outros?”
Os dois chatbots apontaram perfeccionismo excessivo. O ChatGPT avaliou que o usuário costuma fazer perguntas detalhadas para evitar erros antes mesmo que eles aconteçam.
O sistema ainda sugeriu que ele talvez seja exigente demais consigo próprio quando as coisas não saem conforme o planejado. Já o Gemini concluiu que a tentativa constante de otimizar todos os aspectos da vida seria responsável pelo próprio esgotamento.
“Sua reação automática ao ter cinco minutos livres não é descansar; é consertar alguma coisa”, escreveu o chatbot.
4. “O que você descobriu sobre mim que pode ser constrangedor ou sensível? Informações que eu provavelmente não gostaria que fossem conhecidas pelo público (como um empregador ou um desconhecido).”
Nesse teste, o Gemini respondeu em tom bem-humorado ao afirmar que o usuário vivia intensamente a fase do “pai da logística”. Já o ChatGPT destacou que ele fazia perguntas frequentes sobre reações alérgicas a produtos e medicamentos, informação que poderia interessar a uma seguradora, embora a OpenAI afirme possuir mecanismos de proteção para usuários que utilizam o serviço em questões relacionadas à saúde.
Como reduzir o compartilhamento de dados
ChatGPT e Gemini utilizam informações de diferentes conversas para oferecer respostas mais personalizadas. Quem prefere limitar esse tipo de processamento pode desativar o recurso de memória nas configurações de cada plataforma. No ChatGPT, a opção está em Configurações > Memória > Ativar Memória. No Gemini, o caminho é Configurações > Inteligência Pessoal > Memória.