PF faz buscas por armas na casa de Bolsonaro: “pare de torturar meu pai”, diz Carlos
Flávio Bolsonaro chamou operação de "cortina de fumaça"
A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão nesta quarta-feira (8) na residência onde o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está em prisão domiciliar.
A busca foi feita sob determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e tentava verificar se ainda havia armas guardadas por Bolsonaro. Nada foi localizado, segundo a defesa do ex-presidente.
“A defesa já havia informado previamente o paradeiro de todas as armas. Resultado: nada foi encontrado. É lamentável que um ex-presidente da República ainda seja submetido a esse tipo de ação”, disse João Henrique de Freitas, que integra a equipe de defesa de Bolsonaro, nas redes sociais.
No local, além de Bolsonaro, estavam Michelle Bolsonaro, sua esposa, e Laura, sua filha.
A decisão de Moraes que autorizou as buscas diz que havia “divergência entre o quantitativo de armas de fogo regularmente registradas em nome do apenado e aquelas efetivamente entregues aos órgãos competentes”.
“A permanência de armas de fogo em poder do executado, quando já determinada sua entrega integral, revela situação incompatível com a ordem judicial anteriormente proferida e justifica a adoção de medida constritiva destinada exclusivamente à localização e apreensão de armamentos remanescentes”, disse o ministro.
“Cortina de fumaça”, diz Flávio Bolsonaro
Em transmissão ao vivo nas redes sociais, dos Estados Unidos, onde participou de audiência promovida pelo USTR (Escritório de Comércio dos EUA), o filho do ex-presidente e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) disse que seu pai “acabou de tomar outra busca e apreensão agora pela manhã”.
“[É uma] clara tentativa de criar uma cortina de fumaça neste momento que eu tô aqui [nos EUA] trabalhando pelo Brasil para tentar dividir o noticiário com coisas negativas”, afirmou.
Na sexta-feira (3), Moraes determinou a prorrogação da prisão domiciliar do ex-presidente por tempo indeterminado.
Na mesma decisão, o magistrado mandou Bolsonaro entregar todas as suas dez armas, revogando a autorização para o porte e todos os certificados de registro.
Condenado a 27 anos e três meses de prisão por liderar uma trama golpista, o ex-presidente chegou a cumprir parte da pena em regime fechado, mas recebeu o benefício da domiciliar humanitária em 27 de março, por motivo de saúde. O prazo inicial foi de 90 dias.
Uma pistola de Bolsonaro apreendida com um de seus seguranças acendeu um alerta em Moraes no mês passado, e o ministro chegou a considerar a hipótese de mandá-lo de volta à unidade prisional conhecida como Papudinha.
Moraes chegou a dizer que o porte da pistola poderia caracterizar uma “falta grave” e levar à “cessação da prisão domiciliar”.
“Pare de torturar meu pai”, diz Carlos
Após a operação da PF, o pré-candidato ao Senado Carlos Bolsonaro (PL-SC) se manifestou. “Por favor, pare de torturar meu pai”, publicou o político no X.
O ex-vereador do Rio de Janeiro afirma que “ninguém aguenta mais tanta perseguição, injustiça e tortura” e cita Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Meu Deus do céu, meu Deus do céu…. Por favor, pare de torturar meu pai. Ninguém aguenta mais tanta perseguição, injustiça e tortura. Enquanto isso, o filho de Lula, o Lula e os chefes da facção não sofrem nenhuma cosquinha diante de todos os escândalos financeiros revelados diariamente”, pontuou.