Quinta-feira, 10 de Setembro de 2026
investigação

Crianças desaparecidas no Maranhão não estão nos EUA, diz polícia americana após solicitação de inclusão em lista da Interpol

De acordo com a PF, nenhum brasileiro estava entre os resgatados na Flórida, no fim de agosto

Por - Goiânia, GO
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Crianças desaparecidas no Maranhão não estão nos EUA, diz polícia americana após solicitação de inclusão em lista da Interpol

via O Globo – A polícia dos Estados Unidos confirmou, nesta quarta-feira (9), que os irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desaparecidos desde janeiro em Bacabal, no Maranhão (MA), não estão entre os 163 menores encontrados no fim de agosto, na operação Statewide Shield, na Flórida, nos Estados Unidos. A informação foi divulgada pela Polícia Federal (PF), que pontuou a solicitação da inclusão de Ágatha e Allan na lista da Interpol.

“Segundo informações das autoridades norte-americanas, nenhuma criança brasileira está entre as 163 pessoas localizadas recentemente nos Estados Unidos no âmbito da Operação Statewide Shield”, diz a PF em nota.

ação surgiram após a família ter acesso a fotos das crianças resgatadas e notar semelhanças com Allan.

Também nesta quarta-feira, a Polícia Federal recebeu a solicitação para inclusão dos irmãos desaparecidos na lista Difusão Amarela da Interpol — destinada a auxiliar na localização de pessoas desaparecidas, inclusive em outros países. A solicitação foi realizada pela mãe das crianças, Clarice Cardoso, acompanhada da advogada da família, Nathaly Moraes. O pedido será analisado pela PF, que encaminhará à Interpol.

Segundo a PF, após o encaminhamento, cabe ao órgão internacional analisar as informações e decidir sobre a publicação e o compartilhamento do alerta com os países membros da organização.

A Interpol ofereceu apoio às buscas pelas crianças. O Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal colocou à disposição da família ferramentas de cooperação internacional que poderão ser usadas para localizar as crianças e, caso elas sejam encontradas em outro país, auxiliar em sua repatriação.

Entenda

Ágatha e Allan desapareceram em 4 de janeiro de 2026, na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, a cerca de 250 quilômetros de São Luís. Os dois estavam acompanhados do primo Wanderson Kauã, de 8 anos, que foi encontrado vivo três dias depois, em 7 de janeiro.

Em janeiro, o então secretário da Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, informou que Kauã havia reconhecido uma casa abandonada, conhecida como “casa caída”, onde as três crianças teriam passado pelo menos uma noite. Cães farejadores também haviam indicado a presença delas nas proximidades.

Segundo Martins, Kauã negou a presença de terceiros durante a caminhada que levou as crianças à mata. Naquele momento, as autoridades afirmaram que nenhuma linha de investigação seria descartada.

Durante as buscas iniciais, as equipes ampliaram a área de procura para além dos limites estabelecidos. Também foram realizadas buscas subaquáticas em rios e lagos, além do uso de helicópteros e drones. Participaram da força-tarefa a Polícia Civil, a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros, a Força Estadual Integrada de Segurança Pública, o Exército Brasileiro e o Batalhão Ambiental do Maranhão. Também foi oferecida uma recompensa por informações corretas que levassem à localização das crianças.

O desaparecimento de Ágatha e Allan completou oito meses em 4 de setembro de 2026, e nenhuma informação concreta sobre o paradeiro das crianças havia sido divulgada até então. Cerca de 2 mil pessoas participaram das buscas ao longo do período. A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão informou que os trabalhos continuam, mas que os detalhes da investigação estão protegidos por segredo de Justiça.

O desaparecimento também mobilizou representantes do Congresso Nacional. A última visita de parlamentares à comunidade ocorreu em maio, quando integrantes da Comissão Externa sobre Prevenção e Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-Juvenil foram ao Maranhão para ouvir a mãe das crianças e autoridades responsáveis pela investigação. A comissão tinha autorização para realizar diligências, vistorias técnicas e acompanhar denúncias graves no país.

A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão afirmou que informações sem confirmação podem prejudicar a investigação e aumentar o sofrimento da família. Informações que possam ajudar a localizar Ágatha e Allan podem ser comunicadas pelo 190, da Polícia Militar, ou pelo 181, do Disque-Denúncia. Não é necessário se identificar.

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