COLUNA DO JOÃO BOSCO BITTENCOURT

Daniel e Wilder disputam o PL na corrida pelo governo de Goiás 

Com a sucessão estadual no radar, senador do PL resiste a pressões, enquanto Caiado tenta ampliar pontes com o bolsonarismo

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A corrida pelo governo de Goiás começa a ganhar contornos mais nítidos nos bastidores, e o Partido Liberal vira peça central. De um lado, o senador Wilder Morais, presidente do PL, reafirma que é candidato e resiste a qualquer tentativa de acordo. Do outro, o governador Ronaldo Caiado trabalha para ampliar o campo de alianças de apoio à candidatura do vice-governador Daniel Vilela (MDB) e se aproxima do bolsonarismo como estratégia para fortalecer o projeto eleitoral.

O governador Ronaldo Caiado já manteve dois encontros recentes com o senador Flávio Bolsonaro, gesto lido como sinal de diálogo com a ala mais influente do PL nacional. A aproximação alimenta especulações sobre um possível alinhamento futuro, e Caiado está otimista.

Dentro do PL, o cenário é de disputa aberta. Wilder Morais tem reiterado, em conversas reservadas e declarações públicas, que não abrirá mão da candidatura ao Palácio das Esmeraldas. O senador aposta no histórico de fidelidade ao bolsonarismo e na estrutura partidária construída nos últimos anos para sustentar o projeto, mesmo diante das articulações que tentam redesenhar o jogo.

Ao mesmo tempo, cresce a percepção de que o ex-presidente Jair Bolsonaro observa Goiás com foco estratégico no Senado. Ele estaria interessado na vitória do deputado federal Gustavo Gayer na disputa pela Casa Alta, o que influencia diretamente a montagem do palanque no Estado. Nesse contexto, a eleição para o governo passa a ser tratada como secundária.

A movimentação se completa com a atuação do vereador Vitor Hugo, uma das vozes mais ativas do PL em Goiás. Ele defende abertamente a construção de um palanque robusto para Flávio Bolsonaro no Estado, reforçando a ideia de que o partido precisa alinhar as decisões locais à estratégia nacional da família Bolsonaro. Quer que o caiadismo faça campanha para Flávio.

O resultado desse embate ainda é incerto. O que já se pode afirmar é que a disputa pelo apoio do PL promete ser menos previsível do que aparentava à primeira vista.