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Deputado aciona PGR e CNJ para investigar relação de Toffoli com resort

Deputado afirma que há indícios de 'participação indireta ou sociedade de fato oculta' de ministro do STF no resort"

Toffoli se defende no caso Master pela 1ª vez e diz que decidirá se processo sai do STF após investigações
Toffoli se defende no caso Master pela 1ª vez e diz que decidirá se processo sai do STF após investigações (Foto: STF)

(O Globo) O deputado federal Sanderson (PL-RS), primeiro vice-líder da oposição na Câmara, solicitou à Procuradoria-Geral da República (PGR) e ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a abertura de investigações contra o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), pela suspeita de participação na propriedade de um resort no Paraná. Apesar do pedido, o CNJ não tem competência para investigar ministros do STF.

As representações envolvem o resort Tayayá, que fica na cidade de Ribeirão Claro (PR). Sanderson afirma que há indícios de uma “participação econômica indireta ou sociedade de fato oculta” de Toffoli no empreendimento, o que poderia configurar uma violação da Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman).

A Loman proíbe magistrados de “exercer o comércio ou participar de sociedade comercial, inclusive de economia mista, exceto como acionista ou quotista”.

Como o GLOBO mostrou, o pagamento de diárias para seguranças que atendem o STF revela 128 dias de viagens em feriados, finais de semana estendidos e recesso do Judiciário para a região onde fica o resort. O custo total das diárias foi R$ 460 mil.

Nos pedidos enviados à PGR e ao CNJ, Sanderson cita reportagem do portal Metrópoles que mostrou que funcionários do Tayayá tratam Toffoli como o real dono do resort.

“Esse conjunto de circunstâncias, analisado de forma sistêmica, revela fortes indícios de participação econômica indireta ou sociedade de fato oculta, caracterizada pela dissociação entre a titularidade formal e o beneficiário efetivo das utilidades econômicas do empreendimento, mediante possível interposição de pessoas, simulação relativa e ocultação do beneficiário final”, escreveu o deputado, no documento endereçado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Toffoli é o relator no STF da investigação sobre possíveis fraudes envolvendo o Banco Master, liquidado pelo Banco Central (BC) no ano passado, que era de propriedade de Daniel Vorcaro.

Reportagens da Folha de S.Paulo e do Estado de S. Paulo revelaram que o cunhado de Vorcaro, o pastor e empresário Fabiano Zettel comprou, em 2021, parte da participação de dois irmãos de Toffoli no resort Tayayá. A participação valia, à época da transação, R$ 6,6 milhões. A Maridt, empresa dos irmãos de Toffoli, passou a ter o fundo ligado a Zettel como principal sócio. Um dos irmãos do ministro administrava o resort na época.