Agro age para evitar embargo europeu à carne brasileira; Goiás exportou U$189 mi em 2025
Analista do Sistema Faeg, Marcelo Penha destaca que Goiás já utiliza rastreio individual (Sisbov) e aponta uso de tanino como alternativa a antimicrobianos
Goiás é um dos estados afetados caso permaneça a previsão de suspensão das importações de carne brasileira no segundo semestre de 2026. A medida ocorre devido às exigências regulatórias sobre o uso de antimicrobianos na produção animal. Nesta quarta-feira (13), representantes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) realizaram reuniões estratégicas para definir medidas urgentes de adequação.
Analista da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Sistema Faeg/Senar/Ifag), Marcelo Penha afirma que a entidade já tem se mobilizado para informar os produtores, disseminando as informações disponíveis, assim como a CNA. Ele acredita ser difícil o mercado brasileiro ser excluído, mas o Mapa pediu dez dias para entender a situação e fazer um pronunciamento. “Vejo como pressão para o Brasil melhorar ainda mais as condições”, avalia.
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A previsão é que, a partir de setembro deste ano, entrem em vigor novas regras europeias que proíbem a utilização de determinadas substâncias com potencial de atuar como promotores de crescimento animal. Nesse cenário, a União Europeia já informou a possibilidade de retirar o Brasil da lista de países habilitados a exportar. Para evitar essa situação, o país deve apresentar garantias suficientes de conformidade.
Neste momento, o governo federal e as entidades representativas do agronegócio trabalham em conjunto para elaborar as diretrizes que deverão ser apresentadas aos auditores europeus como prova da robustez da defesa agropecuária nacional.

Situação
Analista da Faeg, Marcelo explica que em Goiás e no Brasil já é trabalhado o rastreio individual do gado pelo Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (Sisbov). “Ele rastreia o gado que vai para a Europa, é controlado pelo Mapa e inclui todo o manejo, como raça, idade, se macho ou fêmea, enfim, um protocolo para bovinos.” O mesmo não ocorre para outras carnes, como aves e suínos. “Penso que a grande dificuldade é ter a rastreabilidade individual nesses casos.”
Ele, contudo, reforça a necessidade de aguardar a posição do Mapa. “Não temos detalhes ainda [sobre as exigências].” Quanto a não utilização de antimicrobianos, substâncias com potencial de atuar como promotores de crescimento animal, o analista cita que cada país possui suas restrições. Para isso, basta o produtor ficar atento ao mercado que quer atingir.
“Ou seja, nesse caso, não usar produtos que tenham na base alimentar antimicrobianos, que são colocados na ração, sal, para selecionar uma flora desejável de bactérias, que é responsável por digerir a fibra”, detalha. Para isso, existem produtos substitutos naturais. Marcelo aponta o tanino (base vegetal), “que tem tido boa resposta”, além de óleos essenciais e o fracionado de leveduras (fungos).

Impactos
Ainda sobre Goiás, vale citar que, em 2025, o estado exportou 26,3 mil toneladas de carne, movimentando US$ 189 milhões. Marcelo, por sua vez, ressalta que, do total exportado, 4% foram para a Europa. Assim, ele afirma que não é tão difícil que outros mercados absorvam, “mas não queremos perder este. Nosso foco é atender as exigências do que eles entendem como importante”.
A Secretaria de Estado de Agricultura (Seapa), inclusive, já orienta técnicos e lideranças do setor a revisar protocolos e adequar o manejo do rebanho às exigências de sanidade e rastreabilidade do bloco europeu. Em nota, a pasta informou que, em relação à sanidade animal, o Brasil se destaca como zona livre de febre aftosa sem vacinação.
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“No contexto regional, Goiás possui reconhecida capacidade sanitária, estrutura produtiva competitiva e experiência em rastreabilidade, fatores estratégicos para adaptação às novas exigências dos mercados internacionais.”
Ainda conforme a pasta, o Governo faz um acompanhamento permanente das dinâmicas dos principais segmentos do agronegócio goiano, trabalho que envolve a análise de indicadores econômicos e monitoramento do mercado. “As informações subsidiam a tomada de decisão dos produtores rurais, orienta políticas públicas e amplia a transparência das informações do agronegócio estadual para toda a sociedade.”

Agora
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) enfatiza, contudo, que as exportações seguem autorizadas. Ou seja, um eventual embargo só se concretizará se as adequações exigidas não forem comprovadas dentro do prazo.
Para certificar as condições do sistema produtivo brasileiro, a União Europeia prevê uma missão técnica ao país no segundo semestre deste ano. A inspeção “in loco” será determinante para a manutenção do acesso ao mercado europeu.
Nota à imprensa da Seapa:
“A exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar carne e demais produtos de origem animal para a União Europeia adiciona um fator de atenção à pecuária brasileira e goiana. Em 2025, Goiás participou com 26,3 mil toneladas embarcadas no valor de US$189,0 milhões.
No âmbito da sanidade animal, o Brasil destaca-se como zona livre de febre aftosa sem vacinação. No contexto regional, Goiás possui reconhecida capacidade sanitária, estrutura produtiva competitiva e experiência em rastreabilidade, fatores estratégicos para adaptação às novas exigências dos mercados internacionais.
O Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), realiza acompanhamento permanente das dinâmicas dos principais segmentos do agronegócio goiano. Esse trabalho envolve a análise de indicadores econômicos e monitoramento do mercado. As informações subsidiam a tomada de decisão dos produtores rurais, orienta políticas públicas e amplia a transparência das informações do agronegócio estadual para toda a sociedade.
Além disso, a Seapa realiza a interlocução com as demais instituições do setor agropecuário, visando ao acompanhamento de eventuais desdobramentos e à articulação de medidas que se façam necessárias.