Dia das crianças: presentes até 400% mais caros levam famílias de Goiás a mudarem hábitos de compra
Com três filhos, diarista de Aparecida opta pela internet; pesquisas da Hibou, CDL Goiânia e Procons revelam consumidores mais cautelosos e diferenças de até 400% nos preços
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O presente do Dia das Crianças continua na lista de prioridades das famílias, mas a maneira de escolher, pesquisar e pagar mudou. Em Goiás, a decisão entre comprar pelo celular ou visitar lojas físicas reflete uma preocupação crescente com o orçamento doméstico. Pesquisa da Hibou, em parceria com a Score Group, revela que 41% dos brasileiros pretendem gastar menos neste ano, enquanto 70% daqueles que planejam comprar estabelecem um limite de R$ 250. A cautela encontra justificativa nos preços: levantamento do Procon Goiás identificou variação de até 400,17% no valor de um mesmo brinquedo em Goiânia. Às vésperas do feriado de segunda-feira (12), o desafio vai além de escolher o presente: envolve conciliar o desejo das crianças, as contas da casa e a busca pelo menor preço.

Para a diarista Rosa Augusta Mendes, moradora de Aparecida de Goiânia e mãe de três filhos, a compra dos presentes do Dia das Crianças passou a fazer parte de uma rotina de pesquisas pelo celular. Com três crianças para presentear e as despesas da casa para administrar, ela escolheu a internet como alternativa ao comércio tradicional. O TikTok Shop entrou na lista de opções, com ofertas que podem ser consultadas sem a necessidade de sair de casa. A possibilidade de comparar produtos, acompanhar promoções e avaliar preços tornou o ambiente digital uma alternativa para quem precisa dividir o orçamento entre diferentes presentes.
A escolha de Rosa também revela uma transformação no comportamento de consumo das famílias. O tempo gasto no deslocamento até as lojas, os custos de transporte e a possibilidade de encontrar produtos mais baratos pela internet passaram a fazer parte da decisão. Para uma trabalhadora que depende da própria jornada para garantir a renda familiar, a praticidade das plataformas digitais representa um fator importante. Entretanto, o preço anunciado nem sempre corresponde ao valor final da compra, já que frete, prazo de entrega e condições de pagamento também precisam entrar na conta.
Em Goiânia, uma família com dois filhos apresenta uma estratégia diferente. A preferência pelo comércio presencial está relacionada à possibilidade de avaliar os brinquedos antes da compra, comparar preços entre estabelecimentos e levar os presentes imediatamente para casa. Nesse modelo, as vitrines, o atendimento dos vendedores e as condições de parcelamento continuam influenciando a decisão. A experiência de visitar as lojas também permite que pais e responsáveis observem características como tamanho, material, indicação de idade e qualidade dos produtos.
O economista e contador Marcelo Marques afirmou ao Mais Goiás que as mudanças no comportamento das famílias refletem uma disputa cada vez maior pelo orçamento doméstico. “O consumidor de hoje possui muito mais alternativas disputando sua renda e seu tempo”, explicou. A avaliação do especialista ajuda a compreender por que as famílias passaram a comparar preços, avaliar condições de pagamento e buscar alternativas entre lojas físicas e plataformas digitais antes de comprar os presentes.
Quando a renda precisa atender às despesas essenciais, a escolha de onde comprar pode representar uma diferença importante no orçamento. O comportamento identificado nas duas situações encontra respaldo na pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, divulgada pela CDL Goiânia. O levantamento aponta que 70% dos consumidores pretendem comprar presentes em lojas físicas, enquanto 50% consideram adquirir produtos pela internet. Os percentuais mostram que os canais não são excludentes: uma mesma família pode pesquisar pelo celular, comparar preços nas lojas e concluir a compra onde encontrar condições mais vantajosas.
A mudança também impõe desafios ao comércio goiano. Para conquistar consumidores que chegam às lojas com preços pesquisados e referências encontradas nas redes sociais, os estabelecimentos precisam disputar não apenas o valor dos produtos, mas também a confiança, a facilidade de pagamento e a experiência de compra. Do outro lado, famílias como a de Rosa Augusta Mendes buscam alternativas para manter a tradição de presentear os filhos sem comprometer despesas essenciais. Entre vitrines e telas, o consumidor procura equilibrar preço, conveniência e segurança, enquanto o planejamento financeiro ganha importância na escolha dos presentes.
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Pesquisa de preços revela diferenças de até R$ 685 em Goiânia

A diferença entre pesquisar e comprar pode representar centenas de reais no orçamento das famílias. O Procon Goiás avaliou 82 produtos em 25 estabelecimentos e encontrou o brinquedo pedagógico Lança Discos Enigmais por valores entre R$ 29,99 e R$ 150, uma variação de 400,17%. O jogo da memória Dinos Junges apresentou preços entre R$ 28,90 e R$ 134,90. Os números mostram que a escolha do estabelecimento pode representar uma diferença expressiva no valor reservado para os presentes.
O Procon Goiânia também identificou disparidades. O órgão analisou 29 itens, entre 2 e 6 de outubro, e constatou variação de 234,40% no preço de um conjunto de massinhas, encontrado por R$ 20,93 e R$ 69,99. Na comparação dos cinco produtos com maiores oscilações, a compra pelos menores preços totalizaria R$ 359,91, enquanto a aquisição pelos maiores valores chegaria a R$ 1.044,91. A diferença de R$ 685 evidencia a importância da pesquisa, especialmente para famílias que precisam comprar mais de um presente.
A administradora Júlia Macedo, moradora de Goiânia e mãe de dois filhos, decidiu dedicar praticamente toda a manhã de sábado à pesquisa de preços dos presentes do Dia das Crianças. Ela percorreu diferentes lojas e shoppings da capital e encontrou diferenças significativas nos valores cobrados por brinquedos da mesma marca. A experiência reforçou sua preferência pelo comércio presencial, onde consegue comparar produtos, verificar a qualidade e avaliar as condições de pagamento antes de concluir a compra. “Passei praticamente a manhã inteira de sábado procurando os presentes. O que mais me chamou a atenção foi a diferença de preços. De um shopping para outro, encontrei brinquedos da mesma marca com valores muito diferentes”, relatou.
Para Júlia, a pesquisa exigiu tempo e disposição, mas foi importante para encontrar opções mais acessíveis sem abrir mão dos presentes escolhidos para os filhos. A administradora considera que a comparação entre estabelecimentos faz diferença no orçamento, principalmente quando a família precisa comprar mais de um produto. “A gente pensa que, por ser a mesma marca, o preço não vai mudar tanto, mas muda. Por isso, fui de loja em loja, comparei os valores e procurei comprar onde estava mais em conta. Com dois filhos, qualquer diferença no preço já pesa no orçamento”, contou.
Para o economista e contador Marcelo Marques, a mudança no comportamento dos consumidores está relacionada à maior concorrência pelo orçamento familiar e à necessidade de administrar despesas cada vez mais diversificadas. “O consumidor de hoje possui muito mais alternativas disputando sua renda e seu tempo”, afirmou ao Mais Goiás. Segundo o especialista, a comparação de preços deixou de ser apenas uma estratégia de economia e passou a integrar o planejamento das compras, especialmente em datas comemorativas, quando os gastos se somam às despesas habituais das famílias.
Na avaliação econômica, o menor preço anunciado nem sempre representa a opção mais vantajosa. Custos com transporte, frete, juros e parcelamentos podem elevar o valor final do produto. Em famílias com dois ou três filhos, pequenas diferenças nos preços dos presentes podem representar um impacto significativo no orçamento. O cenário reforça a importância de considerar o custo total da compra e a capacidade de pagamento, para evitar que as despesas do Dia das Crianças comprometam outras obrigações financeiras.
Sob a perspectiva jurídica, a advogada Suzana Couto participa da reportagem como consultora em direito do consumidor. O Código de Defesa do Consumidor estabelece que o fornecedor deve informar de maneira clara o preço, as características, as condições de pagamento e os prazos de entrega. Nas compras realizadas fora do estabelecimento comercial, inclusive pela internet, o consumidor possui, em regra, o direito de arrependimento em até sete dias após o recebimento do produto. Já nas lojas físicas, a troca de brinquedos sem defeito depende da política comercial anunciada pelo estabelecimento.
A legislação também diferencia o arrependimento da compra dos problemas relacionados a defeitos. Produtos com vícios estão sujeitos às garantias legais, independentemente de terem sido adquiridos presencialmente ou pela internet. No caso dos brinquedos, os consumidores devem observar a indicação de faixa etária, as informações de segurança e a certificação do Inmetro. Para famílias como as de Rosa Augusta Mendes, que optou pelo comércio digital, e Júlia Macedo, que prefere as lojas físicas, a combinação entre pesquisa de preços, planejamento financeiro e conhecimento dos direitos do consumidor pode evitar despesas inesperadas depois do Dia das Crianças.
Crianças influenciam o consumo e transformam a escolha dos presentes

A transformação também começa antes da compra. O levantamento da Hibou e Score Group, realizado com 1.384 brasileiros, mostra que 51% citam o YouTube entre as plataformas acessadas pelas crianças, enquanto 42% mencionam o TikTok. Entre os presentes preferidos aparecem brinquedos (40%), roupas (37%), passeios (33%) e livros (30%). Para Lígia Mello, executiva da Hibou, as crianças deixaram de exercer influência apenas sobre a escolha dos brinquedos e passaram a participar das decisões de consumo e entretenimento da família. A pesquisa também revela uma mudança na percepção da data: 41% consideram o Dia das Crianças uma ocasião principalmente comercial, enquanto 25% valorizam a oportunidade de convivência. O resultado ajuda a explicar por que passeios e experiências passaram a disputar espaço com presentes tradicionais.
CDL aponta consumidor disposto a comprar, mas atento ao orçamento
A disposição de presentear permanece, apesar das restrições financeiras. Pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, divulgada pela CDL Goiânia, aponta que 74% dos consumidores pretendem comprar presentes, com gasto médio de R$ 308 e aquisição de aproximadamente 2,3 produtos por pessoa. O presidente da CDL Goiânia, Gustavo Faria, afirma que a intenção de compra vem acompanhada de maior atenção às despesas. “Os dados mostram que existe disposição do consumidor para presentear, mas também um cuidado maior com o orçamento.” Segundo o dirigente, preços competitivos, boas condições de pagamento e atendimento serão fundamentais para o desempenho do comércio. O levantamento também revela que 35% dos consumidores interessados em comprar estão inadimplentes e 22% admitem a possibilidade de gastar acima das próprias condições financeiras.
O preço do presente não termina na etiqueta

A comparação entre as pesquisas revela que a decisão de compra passou a envolver mais fatores do que o preço anunciado. Para famílias com dois ou três filhos, o valor total pode incluir frete, juros, deslocamento e parcelas que continuarão no orçamento depois do feriado. O economista e contador Marcelo Marques foi consultado para esta reportagem, mas sua declaração aprovada ainda precisa ser transcrita para inclusão literal. Os dados dos Procons mostram o potencial de economia com a comparação de preços, enquanto os levantamentos da Hibou e da CDL indicam que o consumidor tenta preservar a tradição de presentear sem comprometer outras despesas. Nas compras feitas pela internet, o Código de Defesa do Consumidor assegura, em regra, o direito de arrependimento em até sete dias após o recebimento do produto. Entre as vitrines do comércio e as ofertas que aparecem na tela do celular, o desafio das famílias permanece: transformar o desejo das crianças em uma compra que caiba no orçamento.