Vai ficar mais difícil conseguir empréstimo? Bancos fecham a torneira do crédito
Com famílias mais endividadas, instituições financeiras ficam mais cautelosas para liberar dinheiro
Conseguir empréstimo, aumentar o limite do cartão ou financiar uma compra pode ficar mais difícil nos próximos meses. Com o brasileiro mais endividado, juros altos e aumento do risco de calote, os grandes bancos devem manter a oferta de crédito mais restrita em 2026.
Itaú Unibanco, Bradesco, Caixa, Santander, Banco do Brasil e Nubank aumentaram, no primeiro trimestre deste ano, as reservas para cobrir possíveis perdas com inadimplência. Juntas, as instituições separaram R$ 60,2 bilhões entre janeiro e março, alta de 45,5% em relação ao mesmo período do ano passado.
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Na prática, esse movimento mostra que os bancos estão mais preocupados com a capacidade de pagamento dos clientes. Quando o risco de calote sobe, as instituições tendem a ser mais seletivas na hora de liberar crédito, especialmente em linhas consideradas mais arriscadas, como cartão, cheque especial e empréstimo pessoal.
Dados do Banco Central ajudam a explicar o freio. O endividamento das famílias brasileiras chegou a 49,9% em fevereiro, enquanto o comprometimento da renda com dívidas alcançou 29,7%. Ou seja, uma parte cada vez maior do orçamento já está tomada por parcelas e contas financeiras.
Além disso, os juros altos deixam o crédito mais caro. A taxa básica de juros está em 14,5% ao ano, o que encarece financiamentos, empréstimos e dívidas no cartão. Para quem já está com a renda apertada, qualquer nova parcela pesa mais.
O que muda para o consumidor?
Para quem pretende buscar crédito, o momento exige mais planejamento. Bancos devem analisar com mais rigor o perfil do cliente, a renda, o histórico de pagamento e o nível de comprometimento do orçamento.
Isso pode dificultar a aprovação de empréstimos, reduzir a chance de aumento de limite no cartão e encarecer financiamentos. O impacto tende a ser maior para quem já está endividado, tem parcelas em atraso ou depende de linhas mais caras, como cartão de crédito e cheque especial.
A inadimplência nos empréstimos a pessoas físicas subiu no primeiro trimestre em quase todos os grandes bancos, com exceção do Itaú, que tem maior foco em clientes de alta renda. No Nubank, apesar de a inadimplência seguir sob controle, a instituição também reforçou as provisões diante da piora do cenário econômico.
O agronegócio também entrou no radar dos bancos. Banco do Brasil e Caixa foram impactados pelo aumento de atrasos de produtores rurais e por recuperações judiciais no setor. No caso da Caixa, a inadimplência na carteira do agro chegou a 18,29% no primeiro trimestre.
Desenrola 2.0 é alternativa
Nesse cenário, o Desenrola 2.0 aparece como uma tentativa de aliviar parte da pressão sobre consumidores endividados. O programa permite renegociar dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal, contratadas até 31 de janeiro de 2026 e com atraso entre 91 dias e dois anos.
Segundo o governo federal, o programa é voltado a pessoas com renda de até cinco salários mínimos. As condições incluem descontos de 30% a 90%, juros máximos de 1,99% ao mês, prazo de até 48 meses para pagamento e limite de até R$ 15 mil por pessoa, por instituição financeira.
Na prática, quem conseguir renegociar pode ganhar fôlego no orçamento, limpar o nome e melhorar o acesso ao crédito no futuro. Mas o programa não resolve sozinho os fatores que levaram os bancos a fechar a torneira: juros altos, inadimplência crescente e renda familiar pressionada.
Por isso, especialistas avaliam que o impacto do Desenrola 2.0 deve ser positivo, mas limitado. Ele pode ajudar parte dos consumidores a reorganizar dívidas, mas os bancos ainda devem seguir cautelosos na liberação de novos empréstimos e limites de cartão.
Com esse cenário, a tendência é de crédito mais caro, mais seletivo e menos disponível para quem já está endividado. Para o consumidor, a recomendação é evitar novas dívidas de alto custo e priorizar a reorganização do orçamento antes de contratar empréstimos.
(Com Folhapress)