Ypê reverte proibição após contaminação; Anvisa mantém alerta
Agência detectou contaminação por bactéria Pseudomonas aeruginosa e falhas sanitárias na fábrica da marca
A Ypê conseguiu reverter, temporariamente, a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que havia proibido a fabricação e comercialização de parte de seus produtos após suspeita de contaminação microbiológica. Apesar da medida, a agência afirmou nesta sexta-feira (8) que ainda não recomenda o uso dos itens envolvidos. Análises identificaram a bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras produzidas pela empresa, a qual oferece riscos principalmente a pessoas com sistema imunológico comprometido.
Alerta da Anvisa
Mesmo com o efeito suspensivo, a Anvisa reforçou o alerta aos consumidores. “Mesmo com o efeito suspensivo, a Anvisa recomenda que os consumidores não usem os produtos indicados, por segurança”, informou a agência em nota.
A Ypê afirmou que continuará colaborando com as autoridades sanitárias e disse ter apresentado informações técnicas adicionais no recurso enviado à Anvisa.
Contaminação em produtos da Ypê
A crise envolvendo a fabricante ganhou força após a Anvisa determinar o recolhimento de produtos fabricados em lotes terminados em número 1. A decisão ocorreu depois de uma inspeção identificar risco sanitário durante fiscalização realizada em conjunto com órgãos de vigilância sanitária de São Paulo.
Nesta sexta-feira, produtos da marca começaram a ser retirados de supermercados. Em unidades das redes Mundial e Super Market, no Bairro de Fátima, no Rio de Janeiro, detergentes, sabões e desinfetantes da Ypê desapareceram das prateleiras e foram substituídos por marcas concorrentes.
Consumidores também relataram dificuldades para conseguir atendimento no SAC da empresa após o anúncio do recolhimento.
Falhas sanitárias
Segundo a Anvisa, fiscais encontraram falhas consideradas graves em etapas do processo produtivo da fábrica localizada em Amparo, no interior de São Paulo.
A agência apontou problemas em sistemas de controle de qualidade, garantia sanitária e procedimentos de fabricação. Para os técnicos, as irregularidades podem favorecer contaminação microbiológica nos produtos.
A inspeção ocorreu entre os dias 27 e 30 de abril.
Bactéria foi identificada em análises anteriores
De acordo com fiscais envolvidos na investigação, esta não foi a primeira vez que produtos da empresa apresentaram contaminação microbiológica.
Em novembro do ano passado, análises identificaram a bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras produzidas pela empresa. O microrganismo pode representar risco principalmente para pessoas com baixa imunidade.
O diretor do Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo, Manoel Lara, afirmou que a paralisação da linha de produção ocorreu após a companhia não conseguir solucionar o problema de forma consistente desde a primeira ocorrência.
RELEMBRE