Empresários vão ao Congresso contra votação da PEC que reduz a jornada 6×1 antes das eleições
Entre as preocupações centrais do setor produtivo estão a informalidade, falta de qualificação profissional e dificuldade para preencher vagas
Mais de 60 entidades empresariais dos setores de indústria, comércio, transporte, agropecuária e serviços vão entregar um manifesto a lideranças do Congresso Nacional pedindo que a votação da PEC que proíbe a escala 6×1 ocorra somente após as eleições. O documento será apresentado na terça-feira (3), em Brasília, aos presidentes de frentes parlamentares e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O texto ainda pede que o debate sobre a redução da jornada de trabalho priorize a preservação dos empregos formais, o aumento da produtividade e a negociação coletiva.
O manifesto, obtido pela Folha, é assinado pelas confederações nacionais da agropecuária (CNA), da indústria (CNI), dos transportes (CNT) e do comércio e serviços (CNC), além de federações regionais como Fiesp e Fercomércio-SP. O grupo também tenta agenda com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), que enviou à Comissão de Constituição e Justiça a PEC de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), proposta que reduz a jornada semanal de 44 para 36 horas, no modelo 4×3.
Entre as preocupações centrais do setor produtivo estão a informalidade, que atinge cerca de 40% da população economicamente ativa, a falta de qualificação profissional e a dificuldade para preencher e reter vagas. O manifesto reconhece que a “modernização da jornada de trabalho” é um debate “legítimo e relevante para o bem-estar dos trabalhadores e para a dinâmica econômica do país”, mas ressalta que é necessário considerar “os impactos em competitividade, produtividade e a precarização dos empregos”.
As entidades defendem que uma mudança abrupta pode elevar a informalidade e encarecer produtos e serviços essenciais, como alimentação, medicamentos e transporte. “Modernizar a jornada não significa escolher entre qualidade de vida e atividade econômica. Significa construir um caminho em que o trabalhador possa viver melhor sem que o emprego formal se torne mais escasso ou mais instável. Para isso, é necessário reconhecer que a forma como a mudança é implementada importa tanto quanto o objetivo que se busca alcançar”, afirma o texto sobre a PEC que reduz a jornada 6×1.
O grupo também pede que a votação da PEC ocorra somente após as eleições. “Considera-se recomendável que o aprofundamento desta pauta ocorra fora do ambiente de disputas eleitorais, em momento mais propício à construção de consensos duradouros”, diz o manifesto. A posição vai na contramão de Motta, que tem defendido que a votação aconteça já em maio.
Com informações da Folha de S. Paulo
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