Enamed expõe quase 14 mil formandos sem base para exercer medicina, diz presidente do CFM
Entidade defende criação de outra prova, que seguiria moldes da OAB
Quase 14 mil médicos formados em 2025 saíram de faculdades com notas 1 e 2 no Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica). Para José Hiran Gallo, presidente do CFM (Conselho Federal de Medicina), o resultado “é assustador”. Os resultados da primeira edição do exame, criado em abril do ano passado pelo governo Lula, foram divulgados nesta segunda-feira (19). A prova foi prestada por 36 mil concluintes de cursos de medicina.
“São 13.871 mil graduados em medicina que receberão diploma e registro para atender a população sem terem competências mínimas para exercer a medicina. Isso é assustador e coloca em risco a saúde e a segurança de milhões de brasileiros”, afirma Gallo.
Estão nas faixas 1 e 2 da escala do Enamed as instituições em que menos de 60% dos estudantes concluintes alcançaram a proficiência mínima na prova. Os resultados variam de 1, o pior, a 5.
“Quando mais de um terço dos egressos de medicina obtêm desempenho considerado insuficiente pelo próprio MEC [Ministério da Educação], estamos diante de um problema estrutural gravíssimo”, alerta.
Para o CFM, o resultado do Enamed mostra que a expansão acelerada de cursos, especialmente no setor privado, não foi acompanhada de critérios mínimos de qualidade, infraestrutura e campo de prática adequados. Das 24 faculdades de medicina que tiraram nota 1, são 17 particulares. Já entre aquelas 83 que atingiram o conceito 2, são 72 privadas.
O CFM defende a criação de uma prova para recém-formados na medicina, nos moldes do exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), que seria obrigatório para o registro profissional, emitido pelos conselhos regionais.
Um projeto de lei com essa proposta foi aprovado em dezembro, em primeiro turno, na Comissão de Assuntos Sociais do Senado. O texto é de autoria do senador Marcos Pontes (PL-SP).
A primeira edição do Enamed mostra que 99 cursos de medicina no país não alcançaram notas satisfatórias.
Essas graduações são oferecidas por 93 instituições federais e privadas. No exame, elas não conseguiram que 60% dos seus estudantes concluintes no curso alcançassem a proficiência mínima na prova.
Esse montante representa um terço dos 304 cursos de medicina regulados pelo MEC e que participaram do exame. Como esta é a primeira avaliação, a penalização deve ser gradativa, conforme a pasta da Educação.
O Enamed foi criado pelo MEC para avaliar a qualidade na formação de médicos do Brasil, é obrigatório para todos os estudantes do último ano e será anual a partir de aqui. Ele é de responsabilidade do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira).
*Via Folha de São Paulo