Especialistas exploram cogumelo que causa alucinações semelhantes às de contos de fadas
Conheça o 'Lanmaoa asiatica', que faz as pessoas verem 'pessoinhas'
Um grupo de especialistas tem chamado a atenção da comunidade científica ao estudar um cogumelo pouco conhecido, o Lanmaoa asiatica, capaz de provocar alucinações descritas como cenas dignas de contos de fadas. Relatos apontam que, após o consumo inadequado do fungo, pessoas passam a enxergar figuras humanas minúsculas caminhando, dançando e interagindo com objetos do ambiente real.
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A experiência é conhecida como alucinação liliputiana, um fenômeno raro caracterizado pela visão de “pessoinhas” — semelhantes a elfos ou personagens fantásticos — que parecem agir de forma independente. O nome faz referência à obra As Viagens de Gulliver, em que o protagonista encontra habitantes diminutos na ilha fictícia de Lilliput.
Visões de pessoas minúsculas intrigam pesquisadores
O Lanmaoa asiatica ganhou notoriedade após centenas de relatos registrados na província de Yunnan, na China, onde o cogumelo é amplamente consumido como alimento tradicional. Em hospitais da região, médicos recebem todos os anos pacientes que afirmam ver dezenas — às vezes centenas — de pequenas figuras caminhando sobre mesas, roupas e até utensílios de cozinha.
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Em alguns casos, as alucinações começam poucas horas após a ingestão do cogumelo mal cozido e podem durar entre 12 e 24 horas. As descrições são surpreendentemente semelhantes: figuras com cerca de 2 centímetros, marchando em grupo, sorrindo, dançando ou se escondendo sob móveis.
Fenômeno também ocorre em outros países
Relatos parecidos surgiram em locais distantes entre si, como Papua Nova Guiné e Filipinas, onde comunidades indígenas conhecem cogumelos silvestres que provocam efeitos quase idênticos. O curioso é que, mesmo sem contato cultural entre esses povos, as alucinações descritas seguem o mesmo padrão visual.
Após análises genéticas, pesquisadores confirmaram que o cogumelo consumido nessas regiões é exatamente o Lanmaoa asiatica, o que reforça a ideia de que os efeitos não são fruto de imaginação coletiva ou folclore local, mas sim de uma reação química específica no cérebro humano.
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Não é um “cogumelo mágico” comum
Apesar dos efeitos psicodélicos, o Lanmaoa asiatica não pertence ao grupo dos chamados “cogumelos mágicos”. Até agora, análises não identificaram substâncias conhecidas como a psilocibina. Isso indica que o fungo pode conter um composto ainda desconhecido, responsável por provocar essas alucinações semelhantes a contos de fadas.

Outro detalhe que chama atenção é a consistência dos relatos. Diferente de outras experiências psicodélicas, que variam muito de pessoa para pessoa, quem consome o Lanmaoa asiatica costuma relatar praticamente as mesmas visões, com riqueza de detalhes.
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Conhecimento popular já alertava para os riscos
Em Yunnan, o consumo do cogumelo é comum, mas acompanhado de alertas culturais. Em restaurantes especializados, garçons orientam clientes a só comerem o prato após um tempo mínimo de cozimento, sob o aviso de que, caso contrário, podem “ver pessoinhas”.
Mesmo assim, fora dessas regiões específicas, o Lanmaoa asiatica segue sendo um grande mistério. Especialistas acreditam que o estudo do fungo pode ajudar a entender melhor como o cérebro humano produz imagens tão vívidas sem estímulos reais — e até lançar luz sobre casos raros de alucinações espontâneas em pessoas que nunca consumiram cogumelos.
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*Com informações do Museu de História Natural de Utah