Ex-ministro de Bolsonaro diz à PF que não sabia de joias nos pacotes
Bento Albuquerque negou que bens estavam destinados ao ex-presidente
Em depoimento à Polícia Federal (PF), o ex-ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, confirmou que os estojos com joias vindos da Arábia Saudita ao Brasil com sua comitiva foram dados por um representante do governo saudita. No entanto, ele disse que desconhecia o conteúdo dos pacotes até sua chegada em território nacional, e negou que em algum momento tenha sido informado de que eram joias para o ex-presidente Jair Bolsonaro e a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro.
A versão exposta em seu depoimento contradiz o que ele havia dito para agentes da Receita Federal no dia do episódio, ocorrido em outubro de 2021. Em um vídeo que mostra o momento em que parte das joias foram retidas e apreendidas no Aeroporto Internacional de São Paulo, Bento, que chefiava a comitiva, afirma que elas eram para a então primeira-dama. O vídeo foi divulgado pelo site G1.
O ex-ministro depôs por meio de videoconferência, no final da manhã desta terça-feira (14), no âmbito do inquérito da PF que investiga a entrada ilegal das joias no país e as condições em que o presente foi dado.
Um conjunto de joias femininas, que estava com um assessor de Bento, foi apreendido por agentes da Receita no aeroporto e continua em poder do órgão, guardado em um depósito. O outro conjunto, de joias masculinas, está com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União (TCU), já determinou que Bolsonaro não pode vender nem usar as joias, e há um recurso do Ministério Público de Contas para que seja determinada a devolução imediata das joias que estão com ele. O caso será apreciado pelo plenário do TCU nesta quarta (15).