Repercussão

Faculdade de Ciências Sociais da UFG pede providências sobre o caso Mateus Ferreira

A Faculdade de Ciências Sociais (FCS) da Universidade Federal de Goiás (UFG) divulgou nota neste…

A Faculdade de Ciências Sociais (FCS) da Universidade Federal de Goiás (UFG) divulgou nota neste sábado (29) repudiando “a violência criminosamente perpetrada pela Polícia Militar do Estado de Goiás” no caso do estudante da instituição Mateus Ferreira da Silva. Ele ficou ferido após receber no rosto um golpe de cassetete desferido por um policial. No hospital, ele foi diagnosticado com traumatismo cranioencefálico (TCE) e múltiplas fraturas.

No texto, a FCS reafirma o seu compromisso com a ordem jurídica vigente e afirma que a PM “cometeu um bárbaro ato de agressão”. Conforme a instituição, Mateus Ferreira é “um exemplar estudante” que somou-se pacificamente à manifestação realizada no contexto da greve geral deflagrada contra as reformas previdenciária e trabalhista propostas pelo Governo Federal. “Exercia, na ocasião, o seu direito fundamental de manifestação e de reunião, garantido no artigo 5o, incisos IV e XVI, da Constituição da República”, diz a nota.

A direção da faculdade ressalta que o material audiovisual divulgado nos veículos de comunicação demonstram que Mateus sofreu uma agressão “unilateral, criminosa e irracional” por parte de um profissional que incorreu contra os direitos fundamentais e a integridade físico-corporal de um cidadão. “Esta unidade acadêmica solidariza-se com os familiares e amigos de Mateus, esperando uma breve e plena recuperação de sua saúde”, frisa.

Por fim, os autores do texto exigem a apuração do caso e a punição do policial militar, além da responsabilização Poder Público “por esse bárbaro ato de desrespeito ao direito e aos mais basilares princípios civilizatórios”.

Estado grave

Mateus Ferreira da Silva, de 32 anos, está internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo). De acordo com nota enviada pela unidade na manhã deste sábado (29), ele está sedado e intubado e não há previsão de cirurgia.

A assessoria de imprensa do hospital ressaltou também que, até o momento, não foi discutido a possibilidade de transferência de Mateus para outra unidade. A decisão caberia aos familiares e aos médicos que o atendem.

Mateus, que é estudante de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiás (UFG), ficou ferido após receber no rosto um golpe de cassetete desferido por um policial. No hospital, ele foi diagnosticado com traumatismo cranioencefálico (TCE) e múltiplas fraturas.

A confusão aconteceu quando os manifestantes estavam concentrados na Praça do Bandeirante, no cruzamento entre as avenidas Anhanguera e Goiás, pouco depois das 12h desta sexta (28). Em determinado momento da manifestação, um grupo arrancou bandeiras de movimentos sociais que estavam em um carro de som e amontoaram para fazer uma fogueira. Os PMs chegaram ao local e dispersaram o grupo, que em seguida quebrou vidros de uma agência bancária e foi mais uma vez repreendido. Minutos depois, um grupo de manifestantes começou a se aglomerar em volta do estudante ferido, que foi socorrido minutos depois pelo Corpo de Bombeiros.

Em nota encaminhada na noite desta sexta (28), o assessor de comunicação da PMGO, tenente-coronel Ricardo Mendes, afirmou que a corporação “condena veemente todo e qualquer tipo agressão praticada por policias militares no exercício de sua função”. Ele acrescentou que o comandante geral da PMGO, coronel Divino Alves de Oliveira, determinou a imediata abertura de inquérito pela corregedoria com o objetivo de individualizar condutas e apurar responsabilidades.

Confira a íntegra da nota da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiás:

A Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiás reafirma o seu compromisso com a ordem jurídica vigente neste país e repudia a violência criminosamente perpetrada pela Polícia Militar do Estado de Goiás que, em desrespeito à lei e à sensatez, cometeu um bárbaro ato de agressão contra o estudante Mateus Ferreira da Silva, aluno do curso de graduação em Ciências Sociais- Habilitação Políticas Públicas desta unidade acadêmica.

Mateus Ferreira da Silva é um exemplar estudante que, no dia 28 de abril de 2017, somou-se pacificamente à manifestação realizada no contexto da greve geral deflagrada contra as reformas previdenciária e trabalhista propostas pelo Governo Federal. Exercia, na ocasião, o seu direito fundamental de manifestação e de reunião, garantido no artigo 5o, incisos IV e XVI, da Constituição da República.

Como se infere de material audiovisual amplamente divulgado nos veículos de comunicação, Mateus sofreu uma agressão unilateral, criminosa e irracional por parte de um profissional que, investido em suas funções segundo o regime artigo 144, parágrafo 5o, da Constituição da República para manter a ordem, promoveu a ilicitude e a barbárie na manhã do dia 28 de abril, incorrendo arbitrária e imotivadamente contra os direitos fundamentais e a integridade físico-corporal de um cidadão.

Esta unidade acadêmica solidariza-se com os familiares e amigos de Mateus, esperando uma breve e plena recuperação de sua saúde.

Adicionalmente, diante deste repudiável episódio – cuja natureza de arbítrio e de desrespeito por agentes públicos às garantias fundamentais de cidadania soma-se à longa relação de casos similares no Estado de Goiás – exige-se a mais célere, contundente e efetiva apuração do crime que vitimou o nosso estudante, punindo-se o policial militar que o perpetrou e responsabilizando-se o Poder Público por esse bárbaro ato de desrespeito ao direito e aos mais basilares princípios civilizatórios.