Frei Gilson terá megatemplo construído em terreno de R$ 22 milhões
Terreno em que megatemplo do Frei Gilson será construído tem um tamanho parecido ao do Allianz Parque, estádio do Palmeiras
(Folhapress) Frei Gilson, hoje um dos nomes de maior voltagem do catolicismo brasileiro, com lives de madrugada que arrebatam multidões, está construindo na zona sul de São Paulo um centro dedicado a “contemplação e oração”.
O projeto, ainda cercado de discrição, prevê um complexo religioso de grandes proporções, com capela para 500 pessoas, hospedagem para retiros espirituais e espaços inspirados nas aparições de Nossa Senhora de Guadalupe.
A reportagem descobriu documentos imobiliários e registros públicos indicando a localização do empreendimento, que até então era mantida em segredo. Será em um terreno entre os bairros Capela do Socorro e São Rafael.
Frei Gilson confirmou ao jornal o endereço, numa área próxima à estação Bruno Covas-Mendes Vila Natal da CPTM. A aquisição, segundo nota enviada por sua assessora, “foi possível graças à generosidade de fiéis de diversas partes do mundo, por meio de doações espontâneas”.

Registros do CNPJ mostram que a iniciativa está vinculada à Obra de Nossa Senhora de Guadalupe, organização presidida por Gilson da Silva Pupo Azevedo, nome de batismo do frade. A entidade aparece como responsável por compras recentes de terrenos na zona sul da capital.
Matrículas do 11º Cartório de Registro de Imóveis indicam que a instituição comprou áreas pertencentes à empresa Sítio Montesol Sociedade Civil Agrícola Ltda. Uma das transações envolve um terreno de mais de 86 mil metros quadrados na avenida Cavaleiros de São Lázaro, na região de Capela do Socorro, adquirido por R$ 21,9 milhões no final de 2025.
É um tamanho próximo ao terreno do Allianz Parque, estádio do Palmeiras.

Os documentos também registram uma alienação fiduciária associada ao negócio, estipulando o parcelamento do valor em 18 prestações mensais de cerca de R$ 1 milhão cada. É um mecanismo comum em compras financiadas: o imóvel fica como garantia da dívida até que todas as parcelas sejam quitadas.
Em material de divulgação apresentado a fiéis, o futuro complexo é descrito como um “oásis de espiritualidade” voltado à “adoração perpétua 24 horas por dia”. A inspiração do projeto nasceu “no coração de dom José Negri”, bispo da Diocese de Santo Amaro, que confiou a missão a frei Gilson.
O frade responde a dom Negri na hierarquia católica. O bispo lhe pediu que criasse um projeto “no qual ele pudesse exercer seu carisma de forma mais estruturada dentro da própria diocese, mas com alcance para o Brasil e para o mundo”, frei Gilson afirma à reportagem. Acolheu essa proposta “como um chamado de Deus, reconhecendo na voz do bispo a vontade divina para sua vida”.

O plano inclui uma capela aberta 24 horas por dia, com capacidade para 500 pessoas. A estrutura também contará com estúdio para gravação do rosário, uma casa para convidados e prédios administrativos.
Outro eixo são os retiros espirituais. O plano é que tenham cerca de 200 quartos individuais para hospedagem de fiéis interessados em períodos de silêncio e oração.
O conjunto também deve abrigar cinco pequenas capelas temáticas dedicadas às aparições de Nossa Senhora de Guadalupe ao indígena Juan Diego, episódio fundador da devoção à Virgem Maria no México.
Juan Diego, de origem asteca, tornou-se peça fundamental na história da Virgem de Guadalupe.
Rezam as lendas mexicanas que, em 1531, ele teve a visão de uma Virgem Maria com pele negra e caiu de joelhos no monte Tepeyac, mesmo pico onde indígenas adoravam sua deusa Tonantzin. Essa imagem desencadeou uma conversão em massa para a fé dos conquistadores espanhóis, e Juan Diego foi feito santo quase meio milênio depois, em 2002, canonizado pelo papa João Paulo 2º.