MIGRAÇÃO

Goiás é o 10º estado que mais abriga venezuelanos no Brasil

Dados obtidos pelo Mais Goiás junto à Polícia Federal revelam que 10.730 venezuelanos moravam no Estado em outubro de 2025

Goiás é o 10º estado que mais dá refúgio a venezuelanos no Brasil (Foto: Pixabay)
Goiás é o 10º estado que mais dá refúgio a venezuelanos no Brasil (Foto: Pixabay)

Goiás é o 10º estado do Brasil que mais dá refúgio a venezuelanos no Brasil, de acordo com dados obtidos pelo Mais Goiás junto ao Sistema de Registro Nacional Migratório da Polícia Federal.

Em outubro de 2025, moravam em Goiás 10.703 pessoas nascidas na Venezuela, entre as quais 5.533 são homens e 5.162 são mulheres.

Os números são parecidos com os de outros estados da região Centro-Oeste do Brasil. Todos eles ocupam a mesma faixa do ranking de migração de pessoas da Venezuela. O Mato Grosso registra 18.824 imigrantes; o Mato Grosso do Sul, 14.130; e o Distrito Federal, 6.636.

O topo da tabela é ocupado por Roraima. Com seus 141.104 venezuelanos registrados, o estado tem um imigrante oriundo do país de Nicolás Maduro em cada grupo 5,2 habitantes (população total de 738.772 pessoas).

Em seguida está Santa Catarina, que tem 98.603 venezuelanos dentro de um universo de 8,18 milhões de habitantes (média de um imigrante para cada grupo de 83 moradores).

Na sequência vêm o Paraná (87.273 venezuelanos), Amazonas (56.124), Rio Grande do Sul (52.273), São Paulo (45.631), Mato Grosso (18.824), Minas Gerais (16.210), Mato Grosso do Sul (14.130) e por fim, Goiás (10.703).

Comemoração em Goiânia

Ao serem informados de que o ditador Maduro havia sido capturado por militares da Delta Force, o grupamento de elite das Forças Armadas dos Estados Unidos, venezuelanos que moram em Goiânia manifestaram alívio.

Carlos Coraspe, de 35 anos, que comanda um restaurante de comida típica venezuelana em Goiânia há três anos, vê o acontecimento como um divisor de águas. Para ele, a queda do regime é o primeiro passo para um dia voltar para casa.

“A verdade é que, para nós, isso (a prisão de Maduro) está abrindo a porta para a liberdade e a esperança de conseguir voltar ao país. É um passo grande no caminho da liberdade da nossa pátria”, afirma Carlos.

Carlos Coraspe ao lado da irmã, Carlenis no restaurante em Goiânia | Foto: Arquivo Pessoal

Ele destaca que a busca por estabilidade o trouxe ao Brasil, onde não precisa mais lidar com o colapso dos serviços básicos. “A gente procurava um país onde pudesse trabalhar de forma certa, sem se preocupar com a inflação, com a falta de gasolina ou em ficar dias sem água e energia, como acontece na Venezuela”.

Já o entregador Tony Gomez, de 34 anos, que vive em solo goiano há sete anos, prefere uma definição técnica para a ação militar americana: “Não foi uma invasão, foi uma extração”, pontua.

“Eu tive que sair pela crise econômica. Dizem que foi o bloqueio, mas não foi o bloqueio que roubou o petróleo da Venezuela; foram as pessoas lá dentro que roubaram e fizeram a nossa economia e a nossa indústria ficarem fracas”, explica Tony.

Ele ainda ressalta a diferença institucional que percebe no Brasil, afirmando que, embora o país tenha um governo de esquerda, “não se pode comparar nunca o Lula com o Maduro”, referindo-se à evolução e ao crescimento econômico que observa na cidade de Goiânia.

Sentimento de cautela

Apesar do alívio com a custódia do ditador, o clima ainda é de cautela, já que a Venezuela declarou estado de emergência após os bombardeios em Caracas. A vontade de regressar, no entanto, permanece viva no coração dos imigrantes.

“O sonho é sempre voltar para de onde você é, para sua família, para as pessoas e para a nossa comida. O Brasil é ótimo para nós, mas sempre vai ficar a saudade do lugar de onde viemos”, resume Carlos Coraspe.

Com a família espalhada por países como Espanha e Colômbia, Tony Gomez compartilha do mesmo sentimento: “Pensamos que, daqui a pouco, quando a coisa melhorar um pouquinho, teremos vontade de voltar a morar no nosso país”.

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