FAZENDA

Governo buscará alternativas se estados não baixarem ICMS do diesel, diz Durigan em primeira entrevista

Novo ministro defendeu que proposta do governo é razoável e que falta de adesão seria 'lástima'

Governo buscará alternativas se estados não baixarem ICMS do diesel, diz Durigan em primeira entrevista
Governo buscará alternativas se estados não baixarem ICMS do diesel, diz Durigan em primeira entrevista (Foto: Marcelo Camargo - Agência Brasil)

BRASÍLIA (FOLHAPRESS) – Em sua primeira entrevista à frente do Ministério da Fazenda, Dario Durigan afirmou nesta sexta-feira (20) que o governo buscará alternativas caso os estados não aceitem a proposta de isenção do ICMS para o diesel importado.

“Não avançando [a proposta], o que seria uma lástima, uma falta de compromisso, a gente iria para outros caminhos para não deixar a população desguarnecida”, disse. Ele afirmou, no entanto, que já teve sinal verde do governo do Piauí e que secretários de Fazenda de outros estados elogiaram a proposta.

Em meio à guerra no Irã e à disparada no preço dos combustíveis, o Ministério da Fazenda propôs aos estados a isenção de ICMS sobre a importação de diesel, mediante uma compensação federal que cobriria 50% do impacto da medida. O custo é estimado em R$ 3 bilhões para a União e no mesmo valor para os estados, considerando dois meses de duração da medida.

“Cabe aos governadores avaliar essa proposta, que é muito razoável, para que a gente possa construir coletivamente uma saída para o povo brasileiro”, afirmou Durigan, que assume a pasta após a saída de Fernando Haddad (PT).

Como mostrou a Folha, a isenção do ICMS encontra mais resistência técnica do que política por parte dos estados. Teme-se que a desoneração possa ser inconstitucional por beneficiar importados, além de reduzir arrecadação para saúde, educação e segurança.

Dario buscou afastar comparações entre a medida agora proposta e a isenção do ICMS dos combustíveis aprovada no último ano do governo Bolsonaro. “O que estamos propondo agora é restrito à importação de diesel; o impacto é muito limitado”, disse.

A medida faz parte de um pacote desenhado para amenizar os impactos da guerra sobre a economia brasileira em ano eleitoral, que inclui reforço da fiscalização sobre a aplicação da tabela do frete para caminhoneiros e isenção do PIS e da Cofins para produção e importação do óleo diesel.

Durigan disse aos jornalistas reunidos no ministério que o seu trabalho à frente da Fazenda será de continuidade. Ele agradeceu ao presidente Lula pela indicação e disse querer aliar resultados macroeconômicos com impacto real na vida da população.

O agora ministro defendeu também que o Orçamento sai fortalecido da atual gestão. “[Temos] um compromisso de buscar que o Estado cumpra o seu papel […] garantindo o equilíbrio fiscal”, afirmou, citando a aplicação da Lei do Devedor Contumaz e o corte linear de 10% nos benefícios tributários.

Disse também que o governo vai seguir discutindo a concorrência entre as plataformas digitais, e citou a regulação da inteligência artificial.