Fiscalização reprova unidade da JBS em Mozarlândia após auditoria da União Europeia
Relatórios apontam falhas na certificação sanitária, no controle de pragas e no processamento; frigorífico mantém exportações e empresa afirma que não há risco aos alimentos
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Serviço de Inspeção Federal (SIF), ligado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), voltou a reprovar, em 20 de julho, o plano apresentado pela unidade da JBS em Mozarlândia para corrigir falhas sanitárias identificadas após uma auditoria da União Europeia no Brasil. Segundo documentos obtidos pela Folha de S.Paulo, a fiscalização concluiu que a maior parte das não conformidades permanecia sem solução.
O Mapa, no entanto, não suspendeu as exportações do frigorífico nem informou a aplicação de sanções. A planta de Mozarlândia abate cerca de 2 mil bovinos por dia e atende mercados internacionais. A unidade integra a estrutura de exportação de carne bovina da JBS em Goiás.
Falhas permanecem após inspeção
Uma equipe da União Europeia esteve no Brasil em maio para avaliar o sistema oficial de controle sanitário. A missão visitou frigoríficos, laboratórios e outras estruturas envolvidas na produção e na certificação de alimentos destinados ao mercado europeu.
Depois da auditoria, o SIF realizou uma nova análise na unidade de Mozarlândia. O relatório, formalizado em 1º de julho, apontou que problemas registrados anteriormente ainda apareciam nos procedimentos adotados pelo frigorífico.
Entre as não conformidades está a falta de garantia sobre a permanência do carimbo oficial de inspeção nas carcaças destinadas à exportação. De acordo com a fiscalização, o selo pode ser afetado por etapas como a lavagem das carcaças e a aplicação de produtos nas câmaras de resfriamento.
O carimbo do SIF identifica que o produto passou pela inspeção oficial e atende aos requisitos sanitários definidos para produção, circulação e exportação.
Os fiscais também registraram falhas no controle de pragas. O relatório cita ausência de monitoramento de armadilhas utilizadas para o controle de moscas. Outros apontamentos envolvem a separação e o descarte de partes dos animais exigidos pelas normas sanitárias e a organização do processamento de vísceras.
Planos não identificam origem das falhas
A fiscalização também questionou a gestão da qualidade da unidade. Os documentos apontam que os planos apresentados pela empresa não analisam as causas das não conformidades e concentram as respostas na realização de treinamentos.
Segundo os fiscais, essa estratégia não impede a repetição dos problemas. O SIF já havia cobrado medidas preventivas para garantir o cumprimento das exigências do mercado europeu.
Na avaliação formalizada em 20 de julho, o órgão concluiu que as respostas da empresa permaneciam superficiais e que parte dos desvios continuava sem correção.
Apesar das reprovações, o Mapa não adotou a suspensão cautelar da habilitação da planta. A legislação sanitária permite a interrupção temporária das exportações quando as não conformidades comprometem o atendimento às exigências do país importador.
JBS afirma que não há risco aos alimentos
Em nota encaminhada à Folha de S.Paulo, a JBS afirmou que cumpre os protocolos sanitários dos mercados para os quais exporta. A companhia classificou os apontamentos como ocorrências pontuais da rotina de fiscalização.
A empresa declarou ainda que as falhas não representam risco à segurança dos alimentos nem comprometem a qualidade dos produtos enviados ao mercado.
China retomou habilitação da unidade
Em maio deste ano, a China restabeleceu a habilitação da unidade da JBS em Mozarlândia. A planta estava suspensa no mercado chinês desde março de 2025.
A retomada também alcançou unidades da Frisa, em Nanuque, Minas Gerais, e da Bon-Mart, em Presidente Prudente, São Paulo. A informação foi divulgada pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes.
A China representa o principal mercado da carne bovina brasileira. A autorização permite que o frigorífico de Mozarlândia retome os embarques para o país, independentemente da avaliação relacionada às exigências europeias.
Restrição europeia começa em setembro
Em maio, representantes dos países da União Europeia aprovaram a retirada do Brasil da lista de fornecedores que atendem às novas regras do bloco sobre o uso de antimicrobianos em animais destinados à produção de alimentos.
A decisão foi formalizada pela Regulamentação de Execução nº 2026/1189, publicada em junho. A restrição começa a valer em 3 de setembro de 2026 e alcança produtos como carne bovina, carne de aves, ovos, mel e animais vivos.
A Comissão Europeia afirma que o Brasil ainda não apresentou garantias suficientes de que as regras sobre antimicrobianos são cumpridas durante toda a vida dos animais. Os embarques poderão ser retomados após o país comprovar adequação às exigências. A medida geral não decorre exclusivamente dos problemas encontrados na unidade de Mozarlândia. Até o início da restrição, as plantas habilitadas permanecem autorizadas a exportar para o bloco.