5 dias na mata

Jovem que ficou perdido no Pico Paraná fala pela primeira vez sobre amiga que o deixou para trás; veja

Roberto Farias Tomaz relata que "foi desesperador" quando perdeu os óculos de grau e uma das botas

Jovem que ficou perdido no Pico Paraná fala pela primeira vez sobre amiga que o deixou para trás; veja Roberto Farias Tomaz Thayane Smith
Imagem: Reprodução

O jovem que ficou perdido no Pico Paraná por quase cinco dias falou pela primeira vez sobre a amiga Thayane Smith, que o deixou para trás durante a descida da montanha. Em entrevista após conseguir sair sozinho da mata, Roberto Farias Tomaz, de 19 anos, afirmou que a atitude dela “não deveria ter sido feita”, mas disse não guardar mágoas e destacou estar aliviado por ela ter chegado bem.

“Realmente é algo que não deveria ser feito, né? Mas eu não estou chateado com ela. Eu estou feliz porque ela chegou em segurança, chegou bem”, afirmou Roberto, ao comentar o episódio que ganhou repercussão nacional. Thayane Smith, da mesma idade, havia admitido anteriormente que se arrependeu de tê-lo deixado para trás durante a descida do Pico Paraná, o ponto mais alto do Sul do Brasil.

Segundo Roberto, o problema começou ainda na subida. Ele contou que passou mal após ingerir um iogurte e acabou ficando mais lento durante o trajeto. “Eu subi o pico pela manhã, tomei iogurte, e ele acabou fermentando no estômago. Acabei vomitando, passando mal. Quando a gente estava descendo, um grupo passou na frente e ela seguiu com eles. Eu fiquei atrás, no meu ritmo, porque estava passando mal”, relatou.

O jovem que ficou perdido no Pico Paraná disse que conhecia a amiga Thayane Smith havia cerca de dois meses e confiava nela. Até a tarde desta terça-feira (6), eles ainda não tinham conversado após o resgate. “Eu estou com algumas coisas dela e pretendo entregar. Eram pertences que eu carregava para ela não levar peso”, explicou.

Ao ficar sozinho, Roberto acabou seguindo uma sinalização errada e se perdeu na região das cachoeiras. “Eu fui pela trilha errada e acabei escorregando de muito alto. Tentei voltar, mas não consegui”, contou. Sem celular — o aparelho ficou sem bateria após o carregador molhar — ele precisou seguir sem pedir ajuda.

Mesmo já tendo feito trilhas em montanhas conhecidas da região, como o Marumbi e o Anhangava, Roberto se considera inexperiente. Durante os quase cinco dias na mata, sobreviveu com pouquíssima comida. “Eu tinha só uma ameixa toda esmagada no bolso. Depois disso, era só fome”, disse, em tom de brincadeira.

O rio acabou virando a principal referência para encontrar uma saída. “Eu fui seguindo pelo rio, subindo pelas pedras. As correntezas eram fortes e eu bebia pouca água, só o suficiente, porque não sabia se era limpa”, explicou.

O momento mais difícil, segundo ele, aconteceu no terceiro dia, quando perdeu os óculos e uma das botas após ser arrastado pela correnteza. Com mais de quatro graus de miopia, a situação ficou ainda mais desesperadora. “Eu enxergava só um borrão”, relatou.

Mesmo ferido, Roberto improvisou uma bandagem no pé esquerdo e continuou caminhando até conseguir ajuda. Ele afirmou que acredita ter sobrevivido por um milagre. “Toda hora que eu passava por um sufoco, eu gritava ‘proteção’ e conseguia continuar”, contou.

O jovem que ficou perdido no Pico Paraná se separou do grupo na manhã do dia 1º de janeiro e chegou sozinho, pouco antes das 10h30 do dia 5, a uma fazenda em Antonina (PR), onde pediu socorro. Ele foi levado ao hospital e, segundo a família, deve retornar para casa, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, ainda nesta semana.