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“Minha mulher está triste após terminar com o amante, devo consolá-la?”: dilema de americano viraliza

Caso foi apresentado em um artigo do New York Times

Minha mulher está triste após terminar com o amante, devo consolá-la? caso de traição artigo do New York Times
Imagem: FreePik

A pergunta de um americano sobre se deveria consolar a esposa, que ficou abalada depois de terminar com o amante, acabou viralizando e gerando intenso debate nas redes sociais. O dilema conjugal foi apresentado em um artigo recente publicado no New York Times e chamou atenção pela complexidade emocional e moral envolvida.

O texto foi assinado por Kwame Anthony Appiah, filósofo e escritor, que há mais de uma década atua como colunista de Ética da revista dominical do New York Times. Conhecido por ajudar leitores a lidar com dilemas morais complexos, Appiah abordou o caso em sua coluna “The Ethicist”, publicada no último dia 25.

Na mensagem enviada ao jornal, o leitor relatou que sabia do caso extraconjugal da esposa e que, após uma conversa franca, acabou dando seu consentimento. Segundo ele, a mulher afirmou que o relacionamento paralelo lhe trazia vitalidade, sensação de liberdade sexual e que não queria agir às escondidas ou sem o acordo do marido. O homem contou que aceitou a situação por acreditar que aquilo não ameaçaria o casamento.

Apesar do acordo, o marido confessou que sofria sempre que a esposa estava com o amante e que nunca conseguiu lidar com isso de forma tranquila. Com o tempo, a mulher decidiu encerrar o relacionamento extraconjugal por considerar o fardo emocional pesado demais para ambos. A decisão, no entanto, provocou tristeza nela e um sentimento de alívio nele.

Diante desse cenário, o leitor fez a pergunta que deu origem à polêmica: ele deveria sentir pena da esposa e oferecer consolo pela perda? Segundo o americano, embora se importe com os sentimentos dela, não sente que seja sua obrigação confortá-la nesse contexto específico.

Na resposta, Kwame Anthony Appiah afirmou que as pessoas não têm controle direto sobre suas respostas emocionais. Para o colunista, o fato de um estar feliz e o outro triste não significa falta de empatia ou erro moral automático. Ele destacou que tanto o consentimento do marido quanto a decisão da esposa de encerrar o caso envolveram sacrifícios silenciosos e desejos conflitantes.

O filósofo ponderou, porém, que o consolo faz parte das dádivas do amor conjugal e que apoiar alguém em sofrimento não exige compartilhar da mesma dor. Para Appiah, ainda que os sentimentos não possam ser controlados, conversar sobre eles — inclusive com ajuda de um terapeuta — pode ajudar o casal a manter a conexão emocional.

O caso rapidamente se espalhou pelas redes sociais e dividiu opiniões. Muitos leitores questionaram a moral presente na resposta do colunista, enquanto outros defenderam a abordagem racional e empática proposta pelo filósofo do New York Times.