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Mortes de pets podem levar a luto mais intenso do que de parentes, diz pesquisa

Perda de animais de estimação reacende debate sobre reconhecimento do sofrimento emocional

Mortes de pets podem levar a luto mais intenso do que de parentes Perda de animais de estimação reconhecimento do sofrimento emocional
Imagem: Reprodução/ChatGPT

A morte de um animal de estimação costuma provocar tristeza profunda nos tutores, mas um novo estudo indica que esse sofrimento pode ser ainda mais intenso do que o luto pela perda de alguns parentes. A pesquisa, publicada nesta quarta-feira (14) na revista científica Plos One, aponta que a morte de pets pode levar ao chamado transtorno de luto prolongado, condição marcada por dor intensa, persistente e incapacitante.

O luto prolongado está descrito tanto na Classificação Internacional de Doenças (CID), da Organização Mundial da Saúde (OMS), quanto no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), da Associação Americana de Psiquiatria. Atualmente, a morte de um animal não é considerada, oficialmente, um evento capaz de causar esse transtorno — algo que o novo estudo sugere que seja revisto.

A pesquisa analisou dados de 975 adultos do Reino Unido que relataram experiências de diferentes tipos de perda. Entre eles, 295 afirmaram ter perdido tanto pessoas próximas quanto animais de estimação. Desse grupo, 21% disseram que a morte do pet foi o luto mais doloroso, percentual inferior apenas à perda de pai ou mãe, citada por 42%. Mortes de amigos próximos, parceiros e irmãos foram mencionadas com menos frequência do que a perda de um animal.

O estudo também identificou 84 participantes com diagnóstico de luto prolongado. Entre os que perderam animais de estimação, 7,5% desenvolveram o transtorno, taxa próxima à observada em perdas humanas, como a de amigos próximos (7,8%) e irmãos (8,9%). Para os pesquisadores, os dados indicam que o luto prolongado pode ocorrer independentemente da espécie do ser perdido.

A professora Maria Helena Pereira Franco, da PUC-SP e presidente da Associação Brasileira Multiprofissional sobre o Luto (ABMLuto), concorda com a conclusão. Segundo ela, o debate sobre o luto pela morte de animais tem ganhado mais espaço, especialmente após a pandemia de Covid-19. Franco destaca que idosos que vivem sozinhos e têm pets como principal companhia estão entre os mais vulneráveis a um luto profundo.

“Para essa pessoa idosa, a morte do animal se soma à solidão e à perda de pessoas da própria geração, o que não pode ser ignorado”, afirma. A especialista ressalta que o não reconhecimento desse tipo de luto pode levar à repressão do sofrimento e à falta de apoio emocional, aumentando o risco de evolução para o transtorno de luto prolongado.

Apesar de concordar com a necessidade de ampliar o debate, Franco pondera que o estudo tem limitações, como o fato de ter sido realizado apenas no Reino Unido, refletindo uma realidade cultural específica. Ainda assim, os resultados reforçam a importância de reconhecer a dor emocional causada pela perda de animais de estimação.