Sexta-feira, 24 de Julho de 2026
UPA

MPF recomenda que UPA da Cidade de Goiás inicie trabalhos em 90 dias

Prédio ficou pronto em 2015, mas nunca funcionou e está abandonado. Prefeita explica que busca recursos para equipar unidade

Hugo Oliveira
Por - Goiânia, GO
Publicado em:

Unidade de Pronto Atendimento (UPA), cuja obra está abandonada dede 2015, foi objeto de recomendação do Ministério Público Federal em Goiás à Prefeitura da Cidade de Goiás. Entregue pessoalmente à prefeita Selma de Oliveira Bastos Pires (PT), o documento aponta para a necessidade de entrega da unidade de Saúde em 90 dias.

Além da entrega, o órgão recomenda que sejam adotadas medidas de proteção das instalações do prédio, que tem sido alvo de vândalos. A líder do Executivo da antiga capital tem 10 dias para informar ao MPF sobre o acatamento ou não das orientações.

De acordo com o procurador Marcello Wolff, entre 2009 e 2015, cerca de 1,5 milhão foram empregados nas obras. Os recursos são da União e foram repassados pelo Fundo Nacional da Saúde, de modo que R$ 200 mil eram recursos do município.

Marcello recebeu prefeita em reunião no MPF (Foto: reprodução/MPF)

Em janeiro de 2015, a UPA foi considerada concluída, de modo que recebeu até solenidade oficial com presença de autoridades, como a própria prefeita, o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) e o então subchefe de assuntos federativos da Presidência da República, Olavo Noleto.

Apesar do referido evento, a Controladoria Geral da União (CGU) e o Departamento de Auditoria do Sistema Único de Saúde (Denasus) notaram que a edificação ficou em estado de abandono entre 2015 e 2017, de modo que foi alvo de depredações.

“A situação de negligência no trato com a coisa pública causa prejuízos ao erário, podendo resultar em violação da Lei de Improbidade Administrativa”, reforça o procurador.

“Herança”

Segundo Selma, a obra foi iniciada em 2009, pela gestão anterior e era para ter sido concluída em 2012, na mesma administração. “Essa é uma herança do governo anterior. Quando assumi, apenas 60% da obra estava pronta e não havia um centavo para esse objetivo nos cofres públicos. Focamos na busca de recursos em Brasília, recebemos fiscalização do Ministério da Saúde e concluímos o prédio após recebermos verba federal de R$ 350 mil”.

Com as instalações prontas, a prefeita afirma que a necessidade é de equipar a UPA. “Estamos buscando recursos para isso. Cheguei a conseguir três emendas parlamentares nesse sentido, que somavam R$ 750 mil, mas lamentavelmente o governo federal não liberou o dinheiro.  Então, ainda estamos tentando esse apoio”.

Para Selma, para que a UPA passe a funcionar, é necessário investimento mensal de R$ 500 mil, embora o Ministério da Saúde tenha garantido R$ 100 mil por mês após um ano de funcionamento. “Precisamos desse dinheiro para começar, então estamos em diálogo com o ministério e também com o governo estadual para tentar resolver essa pendência”.

Segundo a chefe do Executivo, o prazo de 90 exigido pelo MPF para dar início aos atendimentos é impossível de atender. “Tivemos um encontro ontem, em Goiânia, com o procurador e reforçamos que precisamos de um prazo maior. Até porque é necessário firmar parcerias, licitar móveis entre outras questões. Expliquei ainda que teremos um encontro de prefeitos em Brasília para tratar das UPAs com o Ministério da Saúde, porque esse não é um problema apenas de Goiás, mas do Brasil”.

A gestora afirma ainda que referida “solenidade oficial” foi, na verdade, uma visita técnica. “O governador e outras autoridades estavam na cidade para celebrar o feriado de transferência da Capital para Goiânia. Aproveitamos a oportunidade para fazer uma visita técnica porque Goiás é polo regional de Saúde e esta unidade atenderá 17 municípios”.

Embora a unidade ainda esteja fechada, ela garante que atendimentos à população estão sendo realizados pelo hospital municipal. “A UPA atenderá casos de urgência e emergência. Também temos para isso o Hospital São Pedro de Alcântara, que vem atendendo às demandas normalmente”.

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