Nunca recebi uma nota de pesar, diz mulher de técnico morto em estúdio de Marçal
Segundo Elaine Cristina, influenciador nunca lhe deu suporte dois anos após acidente com marido
A professora Elaine Cristina, de 51 anos, afirma conviver diariamente com o vazio deixado pela morte do marido, Celso Guimarães Silva, técnico de audiovisual que morreu após um acidente em um estúdio ligado ao influenciador Pablo Marçal (PRTB), em Barueri, na região metropolitana de São Paulo. O caso ocorreu em junho de 2023 e, segundo ela, até hoje não houve qualquer contato ou gesto de solidariedade por parte do empresário ou de sua equipe.
Celso sofreu uma descarga elétrica, caiu de uma altura de quase quatro metros e morreu dois dias depois. De acordo com laudo da Polícia Civil, o ambiente era considerado inseguro, com fiação exposta e sem estrutura adequada para o uso de equipamentos de proteção. O espaço havia sido alugado para a realização de uma transmissão.
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Dois anos e meio após o acidente, e em meio a uma ação judicial, Elaine diz que nunca recebeu uma nota de pesar, ligação ou mensagem de Marçal. “Nunca houve um ‘meus sentimentos’. Foi uma fatalidade, mas também foi um descuido”, afirma.
Com quase 20 anos de experiência no setor audiovisual, Celso trabalhou como maquinista em produções conhecidas, como Tropa de Elite (2007) e Real: O Plano por Trás da História (2017). Ainda no hospital, ele chegou a gravar um vídeo relatando as condições insalubres do estúdio.
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O casal estava junto havia cinco anos e não teve filhos em comum, mas dividia os cuidados dos filhos de relacionamentos anteriores. Após a morte do marido, Elaine decidiu acionar a Justiça. Em abril, o TRT-2 condenou a empresa de Marçal ao pagamento de R$ 2 milhões por indenização. Em outubro, o tribunal negou recurso do influenciador e aplicou multa por considerar a apelação protelatória, elevando o valor para R$ 2,4 milhões. Um novo recurso também foi negado nesta semana.
Elaine critica a postura do ex-candidato. “É desgastante. A ação fica o tempo todo mexendo na ferida. Me sinto adoecida e exausta”, relata. Para ela, a estratégia adotada é prolongar o processo ao máximo. “É uma disputa de ego.”
O advogado da família, Eduardo Barbosa, afirma que, em muitos casos, acordos costumam ser feitos após decisões de segunda instância para encerrar o desgaste emocional. “Mesmo após multa, ele voltou a recorrer. Vamos trabalhar para que essa penalidade seja dobrada”, diz.
Em nota enviada à imprensa, a defesa de Marçal informou que ainda cabe recurso e que acredita na reversão da decisão. O influenciador não comentou diretamente o caso.
Segundo Elaine, mais do que o valor financeiro, o objetivo é o reconhecimento da responsabilidade. “Ele era marido, pai, filho e amigo de alguém. Nunca houve empatia. É uma tragédia evitável. Isso jamais aconteceria em um local seguro.”