Quinta-feira, 08 de Outubro de 2026
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Inquérito de acidente com 23 mortos no Paraná aponta combinação de WhatsApp e velocidade acima do limite

Condutor de caminhão acessou aplicativo minutos antes da colisão

Por - Goiânia, GO
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Inquérito de acidente com 23 mortos no Paraná aponta combinação de WhatsApp e velocidade acima do limite Condutor de caminhão

Via O Globo – A Polícia Civil do Paraná (PCPR) concluiu nesta quarta-feira (7) o inquérito sobre o acidente entre um micro-ônibus da Saúde e uma carreta que deixou 23 mortos e cinco feridos em 19 de agosto. O acidente ocorreu na BR-373, em Imbituva, na região Central do estado. Segundo a corporação, os dois veículos estavam acima da velocidade permitida, e o motorista do caminhão possivelmente se distraiu com o celular antes da colisão. A investigação também identificou problemas na manutenção do caminhão e concluiu que fatores relacionados aos dois veículos contribuíram para o acidente.

A investigação aponta que o motorista do caminhão invadiu a pista contrária e atingiu o micro-ônibus da Secretaria de Saúde de Imbituva. Os exames toxicológicos dos dois condutores deram negativo para álcool e outras substâncias. Como ambos morreram na colisão, a Polícia Civil sugeriu o arquivamento do inquérito.

De acordo com a delegada Ingrid Priotto, não foi possível aferir a velocidade do caminhão no momento do acidente pelo cronotacógrafo, porque o equipamento estava com a aferição vencida e não havia sido feito o registro correto no dia da colisão. A irregularidade foi constatada em laudos da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Científica.

A Polícia Civil, porém, teve acesso a relatórios do rastreador instalado no caminhão, fornecidos pela transportadora. Os dados indicam que o veículo trafegava a 80 km/h em momento anterior ao acidente — 20 km/h acima do limite de 60 km/h da via.

WhatsApp acessado

A investigação também apurou que o motorista do caminhão acessou o WhatsApp cerca de 17 minutos antes da colisão. Para a Polícia Civil, é possível que ele tenha se distraído com o celular no momento do acidente, embora não seja possível afirmar que isso tenha ocorrido.

— A Polícia Civil oficiou o WhatsApp para verificar se o motorista do caminhão havia acessado o aplicativo no momento do acidente. Foi constatado que ele havia se conectado cerca de 17 minutos antes do sinistro. Então, é plausível a hipótese de que ele possa ter se distraído com o celular no momento da colisão, visto que havia acessado o aparelho minutos antes. É uma hipótese plausível — diz a delegada.

Em relação ao micro-ônibus, a perícia conseguiu recuperar os dados de velocidade do veículo, apesar de o equipamento ter sido destruído na colisão. A Polícia Científica trabalhou com a fabricante para extrair as informações e constatou que o ônibus estava a 101 km/h no momento do acidente, também acima do limite permitido na via.

Um dos passageiros que sobreviveram relatou ainda que o motorista do ônibus havia saído cerca de 20 minutos atrasado em relação ao horário previsto e estava apressado. Segundo a delegada, essa circunstância também pode ter contribuído para o acidente.

A investigação também identificou problemas no sistema de freios do caminhão. Laudos da Polícia Científica e informações fornecidas pela fabricante apontaram desgastes que poderiam reduzir a eficiência da frenagem. Embora o sistema estivesse em funcionamento, as condições encontradas, somadas aos demais fatores identificados na investigação, podem ter contribuído para o acidente.

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