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Piloto é preso em Congonhas suspeito de integrar rede de abuso sexual de menores

Homem de 60 anos já estava dentro de avião quando foi detido

Homem de 60 anos já estava dentro de avião quando foi detido Piloto é preso em Congonhas suspeito de integrar rede de abuso sexual de menores
Imagem: TV Globo

A Polícia Civil de São Paulo prendeu um piloto de 60 anos na manhã desta segunda-feira (9), dentro do avião no aeroporto de Congonhas, na capital paulista, suspeito de comandar uma rede de exploração de pornografia infantil e estupro de vulnerável. O piloto da Latam se preparava para operar o voo LA3900, com destino ao Rio de Janeiro, quando foi detido.

A Latam afirmou que abriu apuração interna e está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. “A companhia repudia veementemente qualquer ação criminosa e reforça que segue os mais elevados padrões de segurança e conduta”, afirmou em nota.

Segundo a polícia, ele é investigado pelos crimes de estupro de vulnerável, estupro, favorecimento da prostituição e da exploração sexual de criança e adolescente, uso de documento falso, produção, armazenamento e compartilhamento de material de pornografia infanto-juvenil, perseguição reiterada (stalking), aliciamento de crianças e coação no curso do processo.

A polícia não informou se o suspeito já constituiu advogado. A reportagem tenta contato por telefone com familiares do piloto.

Também foi presa uma mulher de 55 anos que teria “vendido” três netas, de 10, 12 e 14 anos para o piloto. Outra mulher, apontada como mãe de outra vítima, foi presa em flagrante. Segunda a polícia, a adolescente, hoje com 14 anos, era abusada desde os 11.

Ao todo, já foram identificadas dez vítimas que, segundo a investigação, foram submetidas a “graves situações de abuso e exploração sexual”.

A operação também cumpre oito mandados de busca e apreensão. Entre os endereços está um apartamento em nome do piloto, na região do Jabaquara, e a casa em que ele morava com a esposa em um condomínio em Guararema, na Grande São Paulo.

As investigações começaram em outubro de 2025, após uma das vítimas, já maior de idade, procurar a polícia.

“As provas colhidas até o momento mostram que os crimes investigados integram uma estrutura organizada de exploração sexual infantil, com indícios de habitualidade, divisão de funções e atuação coordenada entre os envolvidos”, afirma a pasta da segurança.

As prisões fazem parte da operação Apertem os Cintos da 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia do DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa), que investiga essa rede de estupro de vulnerável, favorecimento da prostituição e exploração sexual de criança e adolescente, que funcionava havia oito anos.

A polícia não descarta novas prisões e a identificação de outras vítimas dessa rede de exploração.

Suspeito pagava aluguel e dava TVs de presente às famílias, diz polícia

Segundo a polícia, o piloto oferecia vantagem econômica aos familiares das jovens que consentiam com os abusos.

A investigação aponta que ele pagava aluguel, presenteava com aparelhos de TV, comprava medicamentos e pagava entre R$ 30 e R$ 100 aos responsáveis pelas vítimas cada vez que saísse com alguma delas.

O piloto também tinha RGs falsos, que permitia a entrada com as adolescentes em motéis, de acordo com a polícia. Uma adolescente de 12 anos chegou a ser espacanda por ele um um motel na última semana.

*Via Folha de São Paulo