Janeiro Branco

Profissionais da saúde enfrentam altos índices de ansiedade e esgotamento emocional

Ansiedade, depressão e esgotamento emocional fazem parte da realidade de muitos profissionais da saúde no Brasil

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A rotina intensa, marcada por longos plantões, pressão constante e contato diário com o sofrimento humano, tem provocado impactos significativos na saúde mental desses trabalhadores.

Segundo pesquisas nacionais conduzidas por instituições como a Fiocruz e levantamentos com médicos brasileiros, entre 30% e 40% dos profissionais da saúde apresentam sintomas de transtornos mentais. O cenário acende um alerta durante o Janeiro Branco, campanha nacional de conscientização sobre saúde mental.

Enfermeira em plano americano com jaleco azul, touca branca e crachá
Jornadas exaustivas e responsabilidade de lidar com pacientes contribuiu para o desenvolvimento de ansiedade em Camila Gomes, enfermeira há 8 anos. Foto: reprodução Mais Goiás

A enfermeira Camila Gomes, que atua há oito anos na profissão, relata que o ritmo de trabalho contribuiu para o desenvolvimento da ansiedade. Entre jornadas exaustivas e a responsabilidade de lidar com pacientes em situações delicadas, o desgaste emocional se acumulou ao longo do tempo.

Dados do Ministério da Saúde reforçam essa realidade. De janeiro a outubro de 2024, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 671.305 atendimentos ambulatoriais relacionados à ansiedade, número 14,3% maior do que o total de todo o ano de 2023. Parte expressiva desses atendimentos envolve trabalhadores da área da saúde.

Para a psicóloga Natália Santana, gestora de Recursos Humanos da Santa Casa de Misericórdia de Goiânia, o impacto emocional da profissão ainda é subestimado.
“O profissional de saúde lida diariamente com sofrimento, decisões complexas, pressão por resultados e longas jornadas. Quando não há espaço para o cuidado emocional, o adoecimento se instala de forma silenciosa”, afirma.

Entre os principais sinais de alerta estão irritabilidade constante, cansaço excessivo, dificuldade para dormir, desmotivação, sensação de incapacidade e alterações frequentes de humor. Para Natália Santana, tratar esses sintomas como algo normal da profissão é um dos maiores riscos.
“Sentir-se constantemente no limite não pode ser visto como normal. É um indicativo claro de que a saúde mental precisa de atenção.”