Segunda-feira, 05 de Outubro de 2026
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Quem é Eduarda Campopiano, deputada eleita que agradeceu pela colonização e disse que indígenas seriam canibais

Aos 23 anos, vereadora do PL recebeu 1,95 milhão de votos e tornou-se a deputada estadual mais votada de São Paulo

Por - Goiânia, GO
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Eduarda Campopiano, deputada eleita de SP

Eleita deputada estadual com quase 2 milhões de votos em São Paulo, Eduarda Campopiano (PL), de 23 anos, chega à Assembleia Legislativa paulista depois de construir projeção nas redes sociais com posições conservadoras e declarações que provocaram controvérsia. Em uma delas, afirmou agradecer a Deus pela colonização e catequização dos povos indígenas no Brasil e associou indígenas a práticas como canibalismo e enterro de crianças vivas. A manifestação motivou uma liderança indígena a registrar boletim de ocorrência por racismo contra a então vereadora.

Maria Eduarda Campopiano Monteiro nasceu em Campinas, em 22 de julho de 2003. Ela foi eleita neste domingo (4) para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) com 1,9 milhão de votos, equivalentes a 8,39% dos votos válidos. Foi a maior votação para deputado estadual no estado.

Antes de chegar à política institucional, Campopiano ganhou projeção nas redes sociais. Segundo seu próprio relato biográfico, começou a produzir conteúdo político aos 18 anos e, aos 19, passou a atuar como comentarista da Jovem Pan e do Fio Diário.

A primeira disputa eleitoral ocorreu em 2024. Filiada ao PL, foi eleita vereadora de Praia Grande, no litoral paulista, com cerca de 3,6 mil votos. Tornou-se a parlamentar mais jovem já eleita para a Câmara Municipal da cidade e a mulher mais votada da história do Legislativo municipal, segundo informações divulgadas pela própria política.

Eduarda Campopiano, deputada estadual eleita do PL de São Paulo (Foto: Divulgação)

Declarações sobre indígenas

Uma das declarações que mais repercutiram ocorreu em maio deste ano, durante participação no podcast RedCast. Campopiano afirmou agradecer a Deus pela colonização portuguesa e pela catequização dos povos indígenas.

Na mesma manifestação, associou os indígenas anteriores à colonização a práticas como canibalismo e enterro de crianças vivas. As declarações levaram a artista e ativista indígena Katú Mirim a registrar um boletim de ocorrência contra Campopiano, acusando-a de racismo. Procurada pela Folha de S.Paulo para uma reportagem publicada nesta segunda-feira (5), a deputada eleita não havia sido localizada para comentar o episódio.

Antifeminismo e aborto

O enfrentamento ao feminismo é uma das principais bandeiras políticas de Campopiano. Ela própria se apresenta nas redes como a “inimiga número um das feministas” e disse, após a eleição, que pretende levar essa agenda para a Assembleia Legislativa.

Em entrevista à Folha após a eleição, afirmou que pretende se opor a propostas apresentadas por parlamentares identificadas com o movimento feminista. Campopiano define o feminismo como um movimento político e ideológico de esquerda e sustenta que conquistas alcançadas pelas mulheres devem ser atribuídas ao mérito individual, e não ao movimento.

O aborto também está entre suas principais bandeiras. Campopiano se declara contrária ao procedimento inclusive nas circunstâncias em que a legislação brasileira permite a interrupção da gravidez. Segundo ela, sua intenção é atuar para que mulheres desistam do aborto, com medidas como atendimento a gestantes e divulgação da possibilidade de entrega legal da criança para adoção. Nesta segunda-feira, voltou a afirmar que pretende tornar o aborto “impensável”.

Eduarda Campopiano e o deputado federal eleito Lucas Pavanato (Foto: Reprodução)

Questiona feminicídio e defende armas para mulheres

Campopiano também se posiciona contra a tipificação específica do feminicídio. À Folha, argumentou que assassinatos de mulheres cometidos por companheiros deveriam ser tratados como crimes passionais ligados ao sentimento de posse existente em relacionamentos.

A deputada eleita afirmou reconhecer a necessidade de combater os assassinatos de mulheres, mas defende que o enfrentamento ocorra principalmente por meio do endurecimento das penas aplicadas aos criminosos.

Ao mesmo tempo, defende o direito de mulheres portarem armas de fogo, sob o argumento de que isso poderia ampliar sua capacidade de proteção contra a violência. Campopiano também já se manifestou contra cotas raciais e contra iniciativas destinadas a reconhecer formalmente a prostituição como profissão.

Eduarda Campopiano e Lucas Pavanato (Foto: Divulgação)

Ascensão com apoio de nomes da direita

Na eleição deste ano, Campopiano esteve politicamente associada ao vereador paulistano Lucas Pavanato (PL), que também se elegeu, neste caso para deputado federal. A nova deputada estadual também esteve alinhada às candidaturas de Flávio Bolsonaro à Presidência e de Guilherme Derrite ao Senado.

Outro nome importante em sua projeção foi o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que apoiou sua candidatura e a incluiu no grupo de candidatos conservadores promovidos durante a campanha eleitoral pelo país.

A votação de Campopiano ajudou o PL a ampliar sua presença na Assembleia Legislativa. O partido elegeu 27 deputados estaduais em São Paulo e continuará com a maior bancada da Casa.

Com 23 anos e mais de 1,95 milhão de votos, Campopiano inicia em 2027 seu primeiro mandato estadual, depois de apenas dois anos como vereadora. Ela afirma que pretende manter na Alesp a mesma linha ideológica que impulsionou sua presença nas redes sociais e sua campanha eleitoral. Em entrevista nesta segunda-feira, atribuiu parte do próprio desempenho eleitoral à disposição de dizer o que pensa, independentemente das reações provocadas.

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