Rotina de Vorcaro inclui seis refeições e banho de sol na cela
Banqueiro está preso na Penitenciária Federal de Brasília
O primeiro fim de semana do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, no Sistema Penitenciário Federal, em Brasília, teve seis refeições por dia. O banqueiro, transferido para a capital federal na última sexta-feira (6), possui horário de banho e circulação controlada com banho de sol na cela.
Isolado até 26 de março, Vorcaro está em uma cela de nove metros quadrados. Trata-se de um período de adaptação, sem possibilidade de caminhar pelos corredores neste momento. No quarto, há uma cama, escrivaninha, banco e prateleiras em alvenaria, além de banheiro com sanitário, pia e um cano como espécie de chuveiro para banhos.
O dia do banqueiro começa com café da manhã, que inclui fruta, pão e queijo, com café ou leite. Antes do almoço, ele ainda recebe mais um lanche com fruta ou biscoito. Já no almoço, o fundador do Master recebe uma proteína (carne, frango ou ovo), com arroz, feijão e salada.
Pela tarde, ele lancha novamente fruta, pão com queijo ou biscoito. E, na janta, ele tem uma refeição parecida com o almoço, mas em menor quantidade. Antes de dormir, uma ceia, com um lanche leve.
Preso na quarta-feira (4) durante a terceira Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), o investigado ingressou, inicialmente, no Complexo Penal II de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo. Ele chegou a ser levado para a Unidade Prisional de Potim, no Vale do Paraíba. Contudo, o banqueiro foi transferido para a Penitenciária Federal de Brasília.
Vestimenta e rotina
Vorcaro tem duas camisetas de manga curta e longa, calça, agasalho, tênis, sapato, lençol, toalha, travesseiro e meias. Além disso, ele recebeu um kit de higiene que inclui sabonete, desodorante, escova, creme dental, papel higiênico e produtos de limpeza do ambiente.
Cabe a ele limpar e manter a cela organizada. Nesse período de adaptação, apenas advogados podem visitar o detento. As conversas ocorrem no parlatório (gravadas) ou em ambiente sem gravação, caso haja autorização a pedido dos defensores.
Os advogados do banqueiro, inclusive, já pediram ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o primeiro encontro ocorra sem gravação. A defesa ainda aguarda resposta.
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Operação Compliance Zero
A Operação Compliance Zero apura supostas irregularidades na gestão do banco Master, liquidado no ano passado pelo Banco Central. Conforme apuração, a instituição está envolvida em um esquema que teria provocado um rombo de quase R$ 40 bilhões no mercado financeiro.
Este ocorreria por meio de emissão e comercialização de títulos de crédito sem lastro, conhecidos como “ativos podres”. Eles são usados para inflar artificialmente o patrimônio da instituição, além de ocultar fragilidades financeiras.
A terceira fase da operação investiga Vorcaro por ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de sistemas da PF e até de organismos internacionais, como FBI e Interpol. A defesa do fundador do Master nega todas as acusações. Afirma, ainda, que ele não tentou obstruir as investigações.
Entre as ameaças que o banqueiro fazia a quem considerava adversário, conforme a PF, estava uma mensagem para intimidar o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Por meio de um assalto forjado, ele planejava “dar um pau” e “quebrar os dentes” do profissional.
Ao todo, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão em São Paulo e em Minas Gerais, além de quatro de prisão – também foram detidos Fabiano Zettel, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão e Marilson Roseno da Silva. Na ocasião, houve, ainda, a determinação pelo afastamento de cargos públicos e de sequestro e de bloqueio de bens no montante de até R$ 22 bilhões.
Dinheiro oculto na conta do pai
Destaca-se que a PF descobriu que, após a primeira prisão, Vorcaro ocultou R$ 2,2 bilhões de credores e vítimas do Banco Master na conta do pai dele. Esta foi aberta pela gestora de investimentos Reag, que é suspeita de lavar dinheiro para a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Ela também foi liquidada pelo Banco Central no fim do ano passado.
Membros do grupo e seus papéis, conforme a PF:
- Daniel Vorcaro: líder de uma organização criminosa que atuava de forma estruturada e cooptava servidores de alto escalão para tentar influenciar a opinião pública para enfraquecer o Estado.
- Fabiano Zettel: operador financeiro do grupo.
- Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão: responsável por coordenar as atividades do grupo.
- Marilson Roseno da Silva: policial federal aposentado, que seria um integrante relevante da estrutura paralela de monitoramento.
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