São Sebastião: a história e oração do santo protetor dos gays e padroeiro de 12 cidades
De protetor contra epidemias a referência LGBT: a devoção e o legado de São Sebastião
A história de São Sebastião, venerado como padroeiro de 12 cidades brasileiras e reconhecido, por tradição cultural, como santo protetor dos gays, atravessa séculos e une fé cristã, perseguição religiosa, arte, simbolismo e devoção popular. Mártir do cristianismo primitivo, ele se tornou referência de resistência, coragem, defesa dos perseguidos e proteção contra epidemias, além de ocupar lugar singular no imaginário religioso e cultural contemporâneo.
Quem foi São Sebastião
Segundo as principais hagiografias cristãs, São Sebastião teria nascido por volta do ano 256 d.C., em Narbonne, na Gália (atual sul da França), embora alguns relatos indiquem que ele tenha crescido — ou até mesmo nascido — em Milão, na Itália. Criado em uma família cristã, manteve sua fé em um período em que o cristianismo era severamente perseguido pelo Império Romano.
Já adulto, Sebastião se alistou no Exército Romano e ascendeu rapidamente até se tornar capitão da guarda pretoriana, tropa de elite responsável pela proteção do imperador Diocleciano. O prestígio do cargo lhe garantia status social elevado, mas também o colocava em posição estratégica para ajudar cristãos presos e condenados.
De acordo com estudiosos, ele atuava como uma espécie de “agente duplo”, auxiliando secretamente os perseguidos, encorajando-os na fé e providenciando apoio material e espiritual.

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O duplo martírio
A descoberta da fé cristã de Sebastião marcou seu destino. Denunciado, foi chamado diante de Diocleciano, que se disse traído ao saber que um de seus oficiais mais próximos professava o cristianismo.
A primeira condenação determinava que Sebastião fosse amarrado a um tronco ou árvore e executado a flechadas. Essa cena, eternizada pela arte sacra, tornou-se uma das imagens mais conhecidas do cristianismo. No entanto, segundo a tradição, ele não morreu.
Dado como morto, seu corpo foi abandonado, até ser encontrado por Irene de Roma (Santa Irene), que percebeu que ele ainda estava vivo. Ela cuidou de suas feridas até sua recuperação — episódio considerado milagroso.
Contrariando os conselhos de amigos para fugir, Sebastião retornou e confrontou novamente o imperador, reafirmando sua fé em Cristo. Desta vez, Diocleciano ordenou uma execução definitiva: Sebastião foi açoitado até a morte, em 20 de janeiro de 286 ou 288, dependendo da fonte histórica.
Para evitar o culto ao mártir, o imperador mandou que seu corpo fosse jogado na Cloaca Máxima, o sistema de esgoto de Roma. Ainda assim, cristãos conseguiram resgatá-lo e sepultá-lo dignamente nas catacumbas.
São Sebastião, protetor contra epidemias
A devoção a São Sebastião como protetor contra a peste e doenças contagiosas surgiu ainda na Antiguidade. As flechas de seu martírio passaram a simbolizar os “dardos” das enfermidades que atingem a humanidade.
Há registros históricos de que, em 680, durante a transladação de suas relíquias em Roma, uma epidemia teria cessado imediatamente. Episódios semelhantes são relatados em Milão (1575) e Lisboa (1599).
Por essa razão, São Sebastião se consolidou como padroeiro contra epidemias, sendo invocado em momentos de crise sanitária, fome e calamidades.

Por que São Sebastião é associado aos gays
Embora não haja reconhecimento oficial da Igreja Católica, São Sebastião foi adotado por parte da comunidade LGBT como um ícone simbólico, sobretudo a partir do século XX.
A associação nasce principalmente de sua iconografia artística, intensificada no Renascimento, que passou a retratá-lo como um jovem belo, atlético, seminu e atravessado por flechas. Para estudiosos como o pesquisador Richard Kaye, essas imagens carregam forte conteúdo homoerótico e ajudaram a transformá-lo no santo masculino mais representado da história da arte.
Além da estética, há o simbolismo: Sebastião foi um homem perseguido por aquilo que era, que não negou sua identidade e enfrentou a violência do poder estabelecido — paralelos frequentemente feitos com a trajetória histórica da população LGBT.
São Sebastião como padroeiro
No Brasil, São Sebastião é padroeiro de 12 cidades, entre elas:
- Rio de Janeiro (RJ)
- São Sebastião (SP)
- São Sebastião do Paraíso (MG)
- São Sebastião do Alto (RJ)
- São Sebastião da Bela Vista (MG)
- São Sebastião do Maranhão (MG)
- São Sebastião do Rio Verde (MG)
- São Sebastião do Tocantins (TO)
- São Sebastião do Uatumã (AM)
- São Sebastião da Grama (SP)
- São Sebastião do Umbuzeiro (PB)
- São Sebastião do Caí (RS)
No Rio de Janeiro, a devoção se fortaleceu em 1567, quando os portugueses expulsaram os franceses da região no dia 20 de janeiro, data dedicada ao santo.
De quem São Sebastião é protetor
Tradicionalmente, São Sebastião é considerado protetor:
- Contra pestes, epidemias e doenças contagiosas
- Dos doentes e enfermos
- Dos soldados, militares e guardas
- Dos arqueiros e atletas
- Das pessoas perseguidas por sua fé
- Das cidades ameaçadas por calamidades
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Oração a São Sebastião
Deus onipotente, que conheceis a nossa enfermidade, fraqueza, agonia, ânsia e tribulações desta vida, fazei que a todos nós valha a intercessão de São Sebastião seu glorioso mártir e protetor dos cristãos. São Sebastião, meu intercessor, vós que sofrestes os ferimentos e recebestes no corpo as flechas da indiferença e da vingança, sofrendo vil e infamante processo, pela glória de Nosso Senhor Jesus Cristo, dignai-vos a interceder para que possa obter do Altíssimo a graça de (citar aqui a graça desejada), e ainda a graça da salvação da minha alma para vossa maior glória. Honra e glória vos renderei em todos os dias de minha vida. Amém!