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Anvisa manda apreender lotes falsificados de Mounjaro e proíbe Tirzec

Além disso, o Tirzec, vendido como uma imitação da tirzepatida (substância ativa do Mounjaro), também foi proibido

Anvisa determina apreensão de lotes falsificados de Mounjaro (Foto: Agência Brasil)
Anvisa determina apreensão de lotes falsificados de Mounjaro (Foto: Agência Brasil)

(O Globo) Versões irregulares do medicamento Mounjaro foram proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nesta quinta-feira (2). A autarquia determinou a apreensão do lote D856831 do medicamento Mounjaro e os lotes D880730, D840678 do Mounajro Kwikpen, fabricados por empresa não identificada.

“A empresa detentora do registro do medicamento, Eli Lilly Brasil, informou que foram encontrados, no mercado, unidades desses lotes com características diferentes do produto original, o que indica falsificação. Entre os problemas identificados estão número de série não identificados nos sistemas da empresa, uso de material diferente do original na embalagem e falha na leitura do código 2D”, diz o comunicado.

Além disso, o medicamento Tirzec, que é vendido como uma imitação da tirzepatida (substância ativa do Mounjaro), também foi proibido. Estão proibidas sua comercialização, distribuição, fabricação, importação, divulgação e utilização.

“Foi constatado que o produto anunciado não tem registro, cadastro ou notificação na Anvisa”, aponta a agência reguladora.

Versão multidose de Mounjaro

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou no dia 18 de março deste ano o registro da versão multidose do Mounjaro, medicamento à base de tirzepatida indicado para o tratamento de diabetes tipo 2 e para o controle do peso em pessoas com obesidade ou sobrepeso.

A nova apresentação, fabricada pelo laboratório americano Eli Lilly, diferentemente das canetas descartáveis já disponíveis no mercado, utiliza uma versão reutilizável, que permite múltiplas aplicações a partir de um mesmo frasco. A receita médica é obrigatória para a compra e ainda não há uma estimativa de valor no Brasil.

O tratamento com o Mounjaro funciona em doses semanais, com quatro aplicações por mês. “Anteriormente, quando se comprava o Mounjaro, tinham quatro canetas, cada uma com uma dose única de aplicação”, explica Felipe Henning Gaia Duarte, endocrinologista e presidente da Sbem-SP (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia regional de São Paulo). “Essa caneta atual vem com as quatro doses dentro e você regula cada dose para aplicar, durando o mês inteiro.”

A versão multidose do mounjaro chega em seis concentrações: 4,17 mg/ml, 8,33 mg/ml, 12,5 mg/ml, 16,7 mg/ml, 20,8 mg/ml e 25 mg/ml.

Em nota, a Eli Lilly afirma que o novo dispositivo “mantém os padrões de qualidade, segurança e eficácia” do Mounjaro e que aguarda a definição de preço pela Cmed (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos) para estabelecer o valor de venda no Brasil.

Hoje, a versão já disponível, vendida em caixas com quatro canetas, custa entre R$ 1.400 e R$ 2.800, segundo estimativas com base em consultas a farmácias.

A tirzepatida é um análogo duplo que age nos receptores de GLP-1 e GIP, hormônios gastrointestinais que regulam o apetite e o nível de glicose no sangue.

Ao simular essas substâncias produzidas naturalmente pelo organismo após a ingestão de alimentos, aumenta a sensação de saciedade, leva o paciente a comer menos e, consequentemente, a perder peso. Estudos indicam perda média de 20% do peso corporal após 72 semanas de tratamento.

A aplicação é subcutânea, feita na camada de gordura sob a pele, e os efeitos colaterais mais comuns são gastrointestinais, como náusea, constipação, diarreia e vômito.

Em relação ao preço, Duarte afirma que a Sbem-SP não espera elevação de custo com a mudança de formato, e que há expectativa de redução. “Por ter menos componentes na parte industrializada, esperamos alguma redução de preço em relação às canetas separadas, o que poderia melhorar a adesão ao tratamento”, diz.

Em termos de segurança, o especialista afirma que não há preocupações adicionais. Como a caneta é programada para aplicar a dose recomendada, o principal risco seria o paciente não regulá-la corretamente e acabar usando uma dose menor, o que reduziria o efeito do medicamento, mas não representaria risco à saúde.

A entidade também não vê distinção entre o novo formato e as canetas individuais no que diz respeito ao uso inadequado para emagrecimento sem indicação médica.

Especialistas reforçam que o medicamento deve ser visto como uma ferramenta auxiliar para perda de peso, e não como solução isolada. Manter uma alimentação equilibrada e praticar atividade física regular são fundamentais para evitar o reganho de peso ao longo do tratamento.