Borrifar perfume no pescoço faz mal à saúde? Afeta a tireoide? Saiba a resposta
Postagem viral na web deixou muita gente em dúvida; veja o que dizem os especialistas
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Borrifar perfume no pescoço é um hábito comum, mas publicações que viralizaram nas redes sociais levantou dúvidas sobre os possíveis efeitos das fragrâncias na tireoide. A preocupação surgiu porque a glândula fica localizada na região do pescoço e algumas substâncias presentes em perfumes, conforme relatado nos posts, poderiam ser absorvidas pela pele.
No entanto, as evidências científicas disponíveis atualmente não indicam que aplicar perfume no pescoço cause danos específicos à tireoide. Segundo especialistas, não existe uma via direta que faça com que os componentes da fragrância aplicados na pele cheguem seletivamente à glândula.
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Perfume no pescoço chega à tireoide?
A tireoide é uma glândula em formato de borboleta localizada na parte frontal inferior do pescoço. Ela produz hormônios importantes para o funcionamento do organismo, especialmente para o controle do metabolismo e do uso de energia pelo corpo.
Apesar de estar próxima da pele, a tireoide fica protegida por diferentes camadas de tecido. Quando um perfume é aplicado, seus componentes podem evaporar, permanecer na superfície da pele, penetrar em suas camadas ou, em alguns casos, alcançar a corrente sanguínea.
A absorção depende de fatores como a composição química do produto, a concentração da substância, o tempo de contato e as características da pele.
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Isso significa que passar uma substância perto de um órgão não faz com que ela seja direcionada para aquele órgão. Portanto, não há evidências de que borrifar perfume sobre o pescoço exponha a tireoide a uma quantidade maior de substâncias do que a aplicação em outras partes do corpo.

E os ftalatos? Eles podem afetar os hormônios?
Uma das principais preocupações relacionadas aos perfumes envolve os ftalatos, grupo de substâncias químicas utilizado em diferentes produtos. O ftalato de dietila (DEP), por exemplo, já foi empregado como solvente e fixador em fragrâncias.
Pesquisas encontraram associações entre exposição a alguns ftalatos e alterações nos níveis de determinados hormônios da tireoide. Porém, esses estudos analisaram a exposição a partir de diversas fontes e não investigaram especificamente pessoas que borrifavam perfume no pescoço.
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Uma revisão publicada em 2024 reuniu 17 estudos com mais de 5,6 mil crianças e adolescentes e identificou associações entre a exposição a ftalatos e alguns hormônios da tireoide. Os próprios resultados, porém, foram inconsistentes para outros hormônios.
Além disso, encontrar uma associação não significa que uma substância tenha causado uma doença ou alteração hormonal. Os estudos também não demonstraram que o uso de perfume provoque problemas na tireoide.
Outro estudo, realizado com 337 mulheres, observou níveis mais elevados na urina de um produto resultante da degradação do DEP entre as participantes que usavam perfume. O resultado indica que o perfume pode ser uma fonte de exposição à substância, mas a pesquisa não avaliou danos à tireoide.
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O perfume pode fazer mal à pele?
Embora não exista evidência de um risco específico para a tireoide relacionado ao uso de perfume no pescoço, existem efeitos sobre a pele que são mais bem estabelecidos cientificamente.
Um deles é a dermatite de contato alérgica, que pode provocar vermelhidão, coceira e inflamação depois que a pessoa desenvolve sensibilidade a determinado ingrediente da fragrância. Uma revisão de estudos estima que a alergia a fragrâncias atinja entre 0,7% e 2,6% da população.
Perfumes também podem provocar irritação sem que exista uma reação alérgica.
Outro possível problema é a fototoxicidade. Alguns ingredientes de fragrâncias, como substâncias presentes no óleo de bergamota, podem reagir quando a pele é exposta à radiação ultravioleta, provocando uma reação semelhante a uma queimadura solar. O risco, porém, depende da substância, da concentração e da exposição aos raios UV e não se aplica a todos os perfumes.
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Perfume pode causar câncer?
A preocupação levantada nas redes sociais também relacionou o uso de fragrâncias a doenças mais graves. Porém, não há evidências de que o uso de perfume cause câncer, segundo a Cancer Research UK.
Os especialistas destacam que estudos sobre substâncias químicas isoladas ou sobre exposição prolongada não podem ser usados automaticamente para afirmar que o uso cotidiano de um produto pronto cause determinada doença. O risco depende de fatores como a substância envolvida, a dose, a forma de exposição e o tempo de contato.
Afinal, é melhor evitar perfume no pescoço?
Para a maioria das pessoas, não há motivo relacionado à tireoide para deixar de usar perfume no pescoço. As evidências atuais não apontam que a região ofereça uma forma especial de exposição da glândula aos componentes da fragrância.
O principal cuidado deve estar relacionado a possíveis reações na pele. Caso o perfume provoque ardência, vermelhidão ou coceira persistente, a recomendação é interromper o uso diretamente na pele e procurar orientação médica se os sintomas continuarem.
Os especialistas também alertam que produtos considerados “naturais” não são necessariamente menos irritantes ou alergênicos. Óleos essenciais, por exemplo, também podem provocar dermatite de contato.
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